Muitos personagens à procura de uma interpretação
Em que implica estudar a multiplicidade de indivíduos envolvidos com o império português dos dois lados do Atlântico, no final do século XVIII e inícios do XIX, sobre os quais temos cada vez mais informações? Em primeiro lugar, implica em conceder ao indivíduo um papel que, por muitas décadas, lhe foi negado por uma historiografia preocupada com grandes forças anônimas. Em segundo, no entanto, envolve também lidar com a informação biográfica a partir de pressupostos que não pertencem nem ao universo da biografia tradicional nem àquele da velha história événementielle. Por conseguinte, não representa alguma forma de retrocesso, mas, ao contrário, um novo desdobramento da disciplina, que recorre a racionalidades diversas, como, por exemplo, o mapeamento das linguagens políticas ou dos conceitos, mas que continua assentada sobre aquilo que a prática historiográfica estabeleceu como suas características fundamentais nos últimos dois séculos e meio: a análise de documentos de acordo com uma visão a mais elaborada possível da sociedade, apresentada sob a forma de um texto de inegável caráter literário. Somente assim a história pode continuar a exercer o seu papel de referência num mundo secularizado.




