Uma escrava, um senhor e os seus filhos: uniões consensuais entre desiguais no século XVIII
É fato que parte da miscigenação racial na América portuguesa foi produto da subjugação das mulheres de cor pelos brancos. Porém, explicá-la apenas pela dominação pessoal não esgota o tema, pois esse campo de estudo abriga forte polissemia. A mestiçagem, inscrita no plano das relações pessoais, foi fruto de encontros ocasionais e também de matrimônios e de uniões consensuais estáveis. Uma delas, objeto desse estudo, se deu entre uma escrava com seu senhor e gerou 4 filhos. Ele, um reinól radicado nos Campos Gerais, dedicava-se ao comércio de animais e vivia com certa pujança até a morte o colher em 1789. Deixou testamento alforriando, legitimando e instituindo como herdeiros os filhos; mas manteve a escrava cativa da própria filha. Todavia o acaso tem lugar na História e ele criou condições para a escrava negociar sua posição e livrar-se da sina que seu senhor lhe destinara.




