As Atividades Científicas do “Químico e Metalurgista” João Manso Pereira na Capitania de São Paulo (1796-1803)
No ano de 1796, o ministro da Marinha e Ultramar do governo mariano, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, elaborou um programa político-reformista que visava modernizar a administração do Império Português, para assim assegurar o domínio da parte mais rica do Império - o Brasil e, sobretudo, salvar o Reino, e a Monarquia Portuguesa. Entre as medidas tomadas pelo ministro estava o estudo das " produções naturais " coloniais, uma vez que as considerava como fontes de riquezas que ajudariam a promover o desenvolvimento da nação portuguesa. Para o mapeamento, exploração e análise do mundo natural das colônias, D. Rodrigo se aliou aos naturalistas, que foram contratados em diversas regiões da América Portuguesa. Na Capitania de São Paulo, um dos estudiosos arregimentados para trabalhar a serviço da Coroa foi o "químico e metalurgista" João Manso Pereira. O objetivo principal desta comunicação consiste em analisar a contribuição da atividade científica praticada pelos mencionado naturalista, através de suas memórias científicas, para o processo de institucionalização das ciências naturais na América Portuguesa, em especial na referida Capitania.
No ano de 1796, D. Rodrigo de Souza Coutinho assumiu a Secretaria de Estado da Marinha e Domínios Ultramarinos (1796-1803). Esse estadista formulou uma nova política para a administração de todo o Império colonial português, política esta que tinha como base a Memória Sobre o Melhoramento dos Domínios de Sua Majestade na América, escrita provavelmente entre 1797 e 1798.1 Foi nessa memória que ele abordou o "sistema político" a ser adotado pela metrópole portuguesa para a manutenção da colônia americana que constituía a "base da grandeza" da monarquia.
A América Portuguesa ocupava um lugar central na política do dirigente, uma vez que era considerada pelo mesmo como a "tábua de salvação" de Portugal. Por isso, interessava ao estadista saber pormenorizadamente todos os detalhes sobre o território, a população, as atividades econômicas e as suas "produções naturais". Em função disso, ele ordenou a elaboração de uma série de mapas informativos como mapas de habitantes, das suas ocupações, dos casamentos, dos nascimentos e das mortes, da exportação e da importação, das produções de cada capitania, dos preços correntes dos gêneros, dos números de navios que entravam e saíam dos portos.2
Ao lado de D. Rodrigo, nessa sua estratégia ilustrada, estavam os vice-reis e governadores das capitanias que deveriam governar segundo "princípios luminosos de administração que segurem e afiancem o aumento das suas culturas e comércio"3 e remeter todas as informações sobre a colônia portuguesa americana, executando assim corretamente as ordens expedidas por D. Rodrigo. Este último impunha como objetivo máximo "animar as culturas existentes e naturalizar no Brasil todos os produtos que se extraem de outros países".4
Na capitania de São Paulo, a política reformista-ilustrada de D. Rodrigo foi posta em prática pelo governador Antonio Manuel de Melo Castro e Mendonça (1797-1802). No ano de 1802, Melo Castro foi substituído por Antonio José da Franca e Horta (1802-1811), dando continuidade aos projetos que foram iniciados pelo primeiro. Os dois governadores empenharam-se em colocar em prática as ordens de D. Rodrigo que visavam descrever, analisar e classificar as "produções naturais" da Capitania; distribuir os impressos e folhetos enviados pela Tipografia do Arco do Cego para a Capitania entre os fazendeiros locais; fomentar a agricultura; e, contratar naturalistas para estudar a natureza da região.
D. Rodrigo para colocar em prática o seu projeto de reforma política precisava se associar aos homens de ciência, porque seriam eles os responsáveis pela pesquisa da natureza colonial, fonte de riquezas que ajudaria a fomentar a renovação econômica da nação portuguesa. Daí, as várias ordens emitidas a todos os governadores da América Portuguesa ordenando a contratação de naturalistas a serviço da Coroa. Tal atitude mostra a valorização dos filósofos naturais dentro do projeto reformista do "ministro da Viradeira", ao arregimentá-los para dar o seu parecer sobre os mais variados assuntos econômico-administrativos, deixando transparecer claramente a associação entre ciência e política.5
Entre os vários naturalistas contratados pela Coroa para desenvolver atividades de pesquisa sobre as "produções naturais" da América Portuguesa podemos mencionar João da Silva Feijó, que pesquisou salitre na Capitania do Ceará; José Vieira Couto que pesquisou as produções minerais na Capitania de Minas Gerais; Manuel Arruda da Câmara que pesquisou as produções vegetais e minerais na Capitania de Pernambuco; Manuel Ferreira da Câmara que investigou as minas de ouro, prata, ferro e cobre na Bahia; José de Sá Bittencourt e Acioli que investigou as minas de cobre e as nitreiras de Montes Altos na comarca de Jacobina na Bahia, entre outros. Esses colaboradores de D. Rodrigo ajudavam a colocar em prática os princípios expostos na já mencionada Memória Sobre o Melhoramento dos Domínios de Sua Majestade na América, uma vez que se dedicavam a conhecer a real dimensão das riquezas da América Portuguesa. Em outras palavras, a ciência praticada por esses naturalistas estava a serviço da razão do Estado.6
Para mapear todas as produções naturais da Capitania de São Paulo, D. Rodrigo, juntamente com os governadores, deu início, a uma política de contratação de naturalistas. Estes deveriam penetrar o interior da Capitania, para desvendar o seu mundo natural e informar aos agentes metropolitanos quais os produtos comercialmente utilizáveis à nação portuguesa.
O primeiro estudioso contratado pela Coroa portuguesa foi João Manso Pereira. As informações biográficas sobre o naturalista são escassas, não se sabendo com precisão a data nem o local de nascimento e de falecimento.
Manso estudou na cidade do Rio de Janeiro, no Seminário da Lapa, conhecendo o grego e o hebraico. Na mesma cidade, foi professor de gramática Latina. Conhecia também a língua francesa, bastante utilizada em suas memórias, e sempre estava envolvido numa gama variada de atividades.
Ao contrário da tendência que se manifestava na colônia dos filhos das famílias mais abastadas irem para a metrópole realizar os seus estudos superiores, João Manso Pereira por aqui ficou, revelando-se, como salientou Carlos Filgueiras7, um autodidata que buscava estar conectado com as modernas idéias científicas da época.
Um dos biógrafos do personagem, Azevedo8 informou que João Manso era um celibatário que vivia com uma ex-escrava de nome Joana de Melo; era alto, magro e de cor parda. Portanto, sua condição social diferenciava-se daquela de outros naturalistas como, por exemplo, os irmãos Andradas, que eram filhos de um rico comerciante de Santos e proprietário de terras.9
João Manso Pereira fabricou produtos de natureza as mais diversas possíveis, como vinho, açúcar, aguardente, entre outros. Ofereceu ao Vice-Rei Luiz de Vasconcelos uma mesa trabalhada pela sua própria mão, cujo tampo exibia em ouro e a cores a Baía de Guanabara e as suas ilhas. Por sua vez, para D. João VI, ofereceu um aparelho e uma caixa para sabão de barba, de fina porcelana, assim como também fizera os bustos de Dona Maria I e de seu esposo, D. Pedro III, enviados a Lisboa.
No governo de Antonio Manoel de Melo Castro e Mendonça, no contexto das reformas promovidas pelo ministro D. Rodrigo de Sousa Coutinho, as "produções naturais minerais" foram objeto de grande interesse do ministro D. Rodrigo, devendo ser vasculhadas, descritas, analisadas e classificadas.
Um dos produtos minerais de grande interesse do ministro era o salitre. As pesquisas sobre esse material na Capitania de São Paulo tiveram o seu marco inicial com a Carta Régia de 10/04/1796 de D. Rodrigo de Sousa Coutinho ao Vice-Rei do Brasil. Nesta, o todo poderoso ministro da "Viradeira" ordenava que partisse com Melo Castro para São Paulo, o Professor Régio no Rio de Janeiro, João Manso Pereira, ficando de tal cargo dispensado por dois anos, para se ocupar do "descobrimento das nitreiras naturais nas Barreiras de São Paulo". Ordenava também que o Governador desse total apoio ao naturalista nas suas diligências e remetesse amostras de salitre que o dito naturalista fosse achando durante as suas investigações.10 Por Aviso de 11 de março de 1797, o naturalista João Manso foi autorizado a receber uma pensão de quatrocentos mil réis, que foi confirmada pelo Aviso de 18/03 do mesmo ano. Esse último Aviso autorizava o pagamento da pensão por conta do Subsídio Literário da Capitania, e fosse dada alguma ajuda de custo a mais proporcional à despesa que exigisse o empreendimento. Para facilitar ainda mais os trabalhos do naturalista, D. Rodrigo ordenou ao Governador que fosse permitido a Manso tirar das fundições cadinhos, ou quaisquer outros objetos, que necessitasse para os seus "exames mineralógicos e metalúrgicos".11
Por sua vez, em um Aviso de 06/12/1796, Francisco Vieira Goulart12 foi contratado como naturalista com a mesma função estabelecida para João Manso, ou seja, remeter produtos naturais para o Real Museu, e fazer todas as descrições e observações mineralógicas que lhe fosse possível, além de fornecer uma descrição econômica da Capitania.13
A produção do salitre (nitrato de potássio) era um item de grande importância na pauta de D. Rodrigo, uma vez que a conjuntura internacional desse período de final do século XVIII e início do XIX exigia investimentos na defesa do Reino e da principal colônia portuguesa. D. Rodrigo bastante atento a este momento particular ordenou a pesquisa de depósitos de salitre por todas as regiões da América Portuguesa, uma vez que esse mineral poderia ser aproveitado para a fabricação da pólvora. Exemplo maior dessa política que incentivava as pesquisas de depósitos de salitre encontra-se na trajetória do naturalista João da Silva Feijó, encarregado de tal tarefa na Capitania do Ceará.14
A insistência na produção do salitre é verificada em nova Carta Régia de 31/03/1797, em que D. Rodrigo recomendava a Melo Castro todo o "desvelo no descobrimento da terra própria para extrair o salitre, no que V. S. fará um grande serviço à Rainha D. Maria I". Para facilitar a descoberta, D. Rodrigo remetia um impresso sobre o modo de conhecer as terras onde se poderia encontrar salitre, e o modo de fazer o mesmo.15
No dia 16/08/1798, Melo Castrou enviou uma carta a D. Rodrigo comunicando as primeiras descobertas dos dois naturalistas. Informou que Francisco Vieira Goulart descobriu salitre em Morro Branco a seis ou sete léguas de São Paulo e levava um mapa das matas de Iguape. Por sua vez, João Manso encontrou salitre em um dos barreiros junto à Vila de Castro, extraiu vitríolo e pedra-ume em Taubaté, de onde continuou suas explorações até a Serra do Mar, descobrindo ferro em Ubatuba e São Sebastião.16
Um dos primeiros trabalhos de construção de nitreiras artificiais na Capitania de São Paulo por João Manso foi à nitreira de Santos. Em carta de 26/07/1799, o Governador Melo Castro dava a aprovação final para a construção de tal nitreira e mandava o Sargento Mór Comandante de Santos Manoel José da Graça dar todas as providências necessárias para a sua execução. No final da carta, Melo Castro afirmou que com o empreendimento da nitreira de João Manso "mostrará ao público o zelo, e distinto merecimento, com que Vmce. se emprega no Real Serviço. Assim, só me caberá o concorrer com todas as forças para o seu bom êxito, e para lhe mostrar a sincera, e verdadeira amizade, que lhe tenho".17
Novas medidas buscando facilitar o trabalho de produção do salitre foram enviadas ao Governador no ano de 1800, como a de 14/03 que mandava promover a ajudante de milícias o cabo que acompanhava João Manso nos trabalhos da nitreira estabelecida na Vila de Santos e mandava aumentar o salário ao índio Luís Francisco, dispensando ambos de qualquer serviço, e pondo-os inteiramente à disposição do naturalista para o trabalho na mencionada nitreira. Na mesma carta, informava que estava remetendo a carta que Manso havia escrito ao Frei José Mariano da Conceição Veloso e que S. A. R. havia mandado "imprimir e dirigir a todos os Governadores do Brasil, para que seguindo as luminosas idéias, que nela se expõem possam recolher salitre".18
Essa publicação é a memória intitulada Cópia de Uma Carta Sobre a Nitreira Artificial Estabelecida na Vila de Santos, da Capitania de São Paulo, publicada no ano de 1800, por Frei José Mariano Veloso, na Tipografia do Arco do Cego, que dizia respeito aos trabalhos de João Manso no processo de construção da nitreira artificial em Santos relacionados à sua preocupação de buscar uma nova forma de obter salitre, elemento essencial para fabricação da pólvora.
Vale ressaltar que Manso Pereira não era o único interessado pela produção artificial do salitre, encontrando um "parceiro" em outro "português natural do Brasil", José Vieira Couto, que realizou um projeto para a construção de salitreiras artificiais no Monte Rorigo, na Capitania de Minas Gerais.19
Conjuntamente à pesquisa e exploração de salitre, João Manso também foi contratado para retomar o projeto de construção da fábrica de ferro de Araçoiaba, estabelecimento que teve as suas origens nos dois fornos construídos por Afonso Sardinha e seu filho para produzir ferro no século XVI. Com a paralisação do funcionamento de tais fornos, as iniciativas para a produção do metal na região remontam à contratação do químico João Manso Pereira no final do século XVIII e início do XIX, quando a Coroa portuguesa, em função da decadência do ouro de Minas Gerais, passou a procurar novos materiais minerais lucrativos.
Em fins de 1798, João Manso, sem dar conhecimento ao Governador, enviou diretamente para a Corte de Lisboa, amostras de minério de ferro, cuja análise química ele havia efetuado, e, também, amostras de ferro de Araçoiaba, estabelecendo contato com o Príncipe à revelia do Governador.
O Príncipe Regente D. João expediu uma Carta Régia a 19/08/1799 parabenizando ao Governador Mello Castro pelos resultados que soube tirar das Minas de Ferro da Capitania de São Paulo o "hábil químico, e metalúrgico João Manso Pereira" e que se podiam observar no "vaso de ferro coado, e no aço que fez subir à Sua Real Presença".20 Em função disso, para examinar as minas de ferro existentes nas Capitanias do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, o Príncipe Regente ordenava que sob a direção de João Manso se averiguasse o melhor lugar onde se poderia estabelecer uma fábrica de ferro com "fornos para fundir, coar e prepará-lo, assim como para reduzir o aço, por meio da cementação; que procedesse a demarcar os bosques, que fossem mais próprios pela sua extensão, situação, e qualidade das árvores, para darem o necessário carvão para o consumo da mesma fábrica, e que indenizasse os particulares com sesmarias igualmente vantajosas".21 Ordenava também que essas fábricas fossem exploradas por conta da Real Fazenda, estipulava o preço por que deveria ser vendido o carvão, bem como o ordenado que deveria ser pago a João Manso, além das despesas feitas com as viagens que se realizasse para inspeções das minas de ferro pelas Capitanias de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O interesse da Coroa portuguesa com a exploração e o estabelecimento de fábricas de ferro na colônia explica-se como uma conseqüência do esgotamento das minas de ouro, obrigando Portugal a procurar algum produto que pudesse substituir a outrora infindável riqueza. O ferro passou a ser mencionado como um produto passível de prover o Erário Real dos numerários indispensáveis à manutenção da monarquia portuguesa. Ademais, vale frisar que a Revolução Industrial inglesa colocou esse minério, juntamente com o carvão, como os principais produtos que determinariam a supremacia de uma nação sobre a outra.22
O Governador assim que recebeu a Carta Régia de 19/08/1799 que mandava dar a João Manso o valor de 800$00 réis e proceder sob a sua direção aos exames e demarcações das matas para as carvoarias ao redor da Fábrica de Ferro nas Minas de Araçoiaba, informou por Carta de 14/02/1800 que não estava acompanhando ainda o mencionado naturalista em função das "águas desta estação [ verão ]", mas que logo se colocaria à sua disposição para ajudá-lo na construção da fábrica "que promete avultados interesses.23" Nessa mesma carta mencionada de 14/02/1800, o Governador argumentou ao ministro D. Rodrigo duas considerações importantes para que se pudesse iniciar o empreendimento de construção da fábrica de ferro.
A primeira consideração dizia respeito aos baixos rendimentos da Capitania para pagamento das suas despesas, sendo difícil o financiamento de tal fábrica de ferro. Informou que o único recurso que sobrava para fazer o estabelecimento era o dinheiro dos Quintos da Casa da Fundição. Sugeriu também que uma forma de se repor o dinheiro gasto com a construção da fábrica seria empregar os seus rendimentos assim que ficasse pronta.
A segunda dizia respeito à exportação do ferro, em que o Governador registrava a seguinte dúvida:
no cálculo das despesas para se arbitrar o preço do metal devem também entrar os direitos, que S. a. R. perde na entrada de igual porção vindo do Reino as despesas de todo o estabelecimento divididos por um certo número de anos; ou se estas não entram em soma, contando-se tão somente os 100 por cento sobre as módicas despesas da extração, para fusão, forjamento e conversão em aço pelos processos ordinários, etc."24
O governador Melo Castro entregou a direção dos estudos para se averiguar o melhor local para estabelecer a fábrica de ferro a João Manso, e, determinou ao Tenente-Coronel Cândido Xavier de Almeida e Souza que o acompanhasse para fazer as demarcações que lhe fossem indicadas, conforme pode ser observada na Carta de 29/05/1800. Nesta última Carta, o Governador informava que ele próprio deveria ir examinar e demarcar o terreno e matas para o estabelecimento da Fábrica de Ferro das Minas de Araçoiaba. Contudo, como não estava podendo por causa do reumatismo que o afligia e da estação desfavorável, viu-se obrigado a dar a Comissão de acompanhar a Manso Pereira e ficar sob a sua direção "ao Tenente Coronel Cândido Xavier de Almeida e Souza, o qual procedendo debaixo da sua direção demarcará todo o terreno necessário tanto para o estabelecimento da dita Fábrica como para reserva das matas, que devem fornecer o carvão para o consumo dela".25
Contudo, ainda que fosse dado o aval para o início do estabelecimento da fábrica de ferro por meio da já mencionada Carta Régia de 19/08/1799, nove meses depois a construção da fábrica ainda não tinha sido iniciada. Em carta a D. Rodrigo, o Governador Melo Castro informava que
por achar-se alguma coisa doente João Manso Pereira, não tem dado princípio ao trabalho, concernente a criação da Fábrica do Ferro, para a qual me diz espera Artistas da Corte; em ele melhorando há de ir fazer as demarcações, e as mais coisas que se poderem antecipar a vinda dos referidos artistas pelas cópias que ponho na presença de V. Exa. se mostram as medidas que tenho tomado para se realizar tão interessante estabelecimento, e as providências que ultimamente dei para sustar os cortes das madeiras no Morro do ferro, na forma que me representou o mesmo João Manso.26
Em 05 de junho de 1800, em uma longa carta enviada ao naturalista, Melo Castro afirmou ter concluído que a Carta Régia de 17 de agosto de 1799 (que mandava estabelecer a Fábrica de Ferro nas Minas de Araçoiaba) era conseqüência dos contatos feitos pelo próprio João Manso, quando dirigiu à Rainha D. Maria I, pela Secretaria dos Negócios do Ultramar e Marinha, um " vaso de ferro coado, e aço" produzido por ele. Tal fato, segundo Melo Castro, teria contagiado S. A., que acabou mandando lançar os primeiros fundamentos da Fábrica de Ferro, nomeando o químico Inspetor do referido estabelecimento.
Nas conclusões da mesma carta, Melo Castro interrompeu a Comissão do Tenente Coronel Xavier de Almeida, substituindo-o pelo Coronel José Arouche de Toledo Rondon. Este último teria a missão de avaliar as matas que Manso deveria escolher para o fornecimento de carvão para a Fábrica de Ferro nas minas de Araçoiaba.
Por Aviso de 18/06/1800, o Governador Melo Castro informava ao Juiz Presidente e Oficiais da Câmara da Vila de Sorocaba que o Príncipe Regente havia mandado construir uma Fábrica de Ferro nas Minas de Varaçoiaba, localizadas no distrito da Vila de Sorocaba, nomeando para inspetor o químico João Manso. Ademais, ordenava que todos os proprietários de terras que tivessem propriedades próximas ao local da referida fábrica deveriam parar os cortes de madeiras que cobriam toda a montanha, e por Real Determinação, todas as matas daquele terreno deveriam ser anexadas ao estabelecimento e os seus donos indenizados com outras.27
Os termos da carta de Melo Castro para João Manso não deixam a menor dúvida sobre os primeiros estremecimentos das relações entre os dois. O Governador daí por diante passou a manter Manso sob constante vigilância. Para não prejudicar seu alto interesse pela implantação da fábrica de ferro, passou a realizar ensaios em forno construído no palácio residencial, sob a coordenação do naturalista Francisco Vieira Goulart.28
Foi nesse contexto de insatisfação entre o Governador e o químico João Manso Pereira que o primeiro contratou o naturalista Martim Francisco para substituir Manso nos empreendimentos siderúrgicos que havia sido empregado.
Martim Francisco Ribeiro de Andrada foi nomeado para o posto de Coronel de Milícias da Capitania de São Paulo por Decreto Real a 20 de setembro de 1799. Por Aviso de 04 de abril de 1800, Martim foi nomeado Diretor Geral das Minas de Ouro, Prata e Ferro da Capitania de São Paulo, recebendo uma pensão de 20$000 rs. por mês.29 Tal nomeação foi confirmada pela Carta Régia de 17 de agosto de 1801, que anunciava a substituição de João Manso Pereira por Martim Francisco nos trabalhos em que estava encarregado. ao mesmo tempo, foi graduado no Posto de Sargento Mor de Milícias da Capitania de São Paulo e sucedeu, na Inspeção da Fábrica de Ferro que mandou estabelecer nas minas de Araçoiaba, ao já mencionado João Manso.30
Contudo, não foi de forma imediata a substituição de João Manso por Martim Francisco. Para reativar e acelerar a construção da fábrica de ferro, o Governador Melo Castro recebeu o Aviso de 20/07/1801 expedido pelo Real Erário para "estabelecer a projetada Fábrica de Ferro nas minas de Varaçoiaba" e ordenou em Carta de 02/12/1801 que João Manso a fosse dirigir ficando "por hora dispensado de ir lixiviar a sua nitreira, por terem aparecido no balanço do armazém dois caixotes de salitre, que podem remediar para a preparação do Laboratório de Artilharia". O Governador ordenava de forma imediata que Manso se preparasse para ir lançar os primeiros fundamentos da mencionada fábrica, propondo-lhe com a devida antecipação tudo quanto fosse necessário para a mesma, visto que "V. Mce. [ João Manso ] sabe o que me determinarão as Reais Ordens, que lhe não são desconhecidas; e o que a seu respeito lhe tenho ponderado".31
Por sua vez, a 21 de maio de 1802, o Governador Melo Castro numa extensa carta ao Visconde de Anadia favoreceu a nomeação de Martim Francisco para o cargo de Diretor Geral Minas de Ouro, Prata e Ferro da Capitania de São Paulo, com as prerrogativas do posto de Coronel de Milícias.
Na mencionada Carta de 21 de maio de 1802, o Governador apresentou comentários bastante críticos à atuação do químico João Manso Pereira, chegando a afirmar que "aquele Inspetor Manso longe de ser um verdadeiro químico, não era senão um mero alquimista, que debaixo de certos mistérios pretendia inculcar-se sem ter os necessários conhecimentos para Inspetor e dirigir a mesma obra [ estabelecimento da fábrica de ferro ]".32 Argumentava também que ele e S. A. R. tinham sido mal informados a respeito do conjunto de conhecimentos daquele a quem chamavam "hábil químico, assim como eu mesmo me tinha enganado, talvez cooperado para o aumento do conceito e reputação em que era tido".33
O Governador em tom irônico informou que custava a acreditar que "um homem a quem se dá o nome de químico" tenha dito que fez e remeteu para a Corte "ensaios de Docimástica de Ferro, Vitríolo, Enxofre, Azul da Prússia, Salitre e Porcelana". Informou que a Docimástica era um "pequeno ramo da vastíssima química no qual se não abrangem as operações concernentes à fatura dos diversos produtos não metálicos que remeteu para a Corte".34 Em outras palavras, o Governador estava afirmando que a Docimasia35 só se referia a minerais metálicos e não à porcelana que Manso afirmou que havia realizado ensaios docimásticos.
Quanto à descoberta de um suposto "barro infuzível" que João Manso teria mandado para a metrópole, o Governador negou a existência de tal descoberta.
Após tecer todos esses comentários sobre os erros cometidos por João Manso, o Governador afirmou então conseguir mostrar o quanto o "mencionado Manso vacila sobre os fundamentos da verdadeira química filosófica, e deduzir dela a insuficiência que tem para os trabalhos de que se acha encarregado".36 Mencionou também o prejuízo de seis mil cruzados que a Capitania estava tendo na construção da fábrica de ferro até o momento, sem esperança alguma de lucro, e de forma bastante otimista, considerou acertada a contratação do naturalista Martim Francisco para vir inspecionar a referida fábrica, avaliando a incapacidade de João Manso para uma séria produção em larga escala.
Quanto ao "vaso de ferro coado, e o aço" que João Manso teria enviado à Rainha D. Maria, e, assim teria resultado a sua nomeação para inspecionar a construção da fábrica de ferro, o Governador informou que ele deve ter "fundido a custa de trabalho, e de fundentes caros tal vaso e outras amostras que preparou de ferro que mandou forjar sem ser fundido", uma vez que Manso "não entende com a fusão em grande (... ) donde tem resultado todas essas demoras, e dificuldades, trabalhando sucessivamente em sua casa, como me consta, sem atinar com o caminho que deve seguir, nem querer confessar a falta de conhecimentos que sobre a natureza da referida mina tem adquirido, apesar das suas repetidas tentativas".37
No final do Parecer, o Governador sugeriu que João Manso
Deveria passar ao Rio de Janeiro, ou a empregar-se na sua cadeira de Gramática Latina, que sempre foi a sua ocupação, e em cujo Magistério fez muito bons serviços ao Estado, e deixar estas coisas para os químicos de profissão, ou tentar as experiências sobre as minAs de ferro daquela Capitania do Rio, em que talvez seja mais bem sucedida do que o tem sido na desta, que sem utilidade alguma tem sido gravada com as despesas que com ele tem feito; a qual, ainda que bastante endividada, podia contudo antes contribuir com igual soma em Lisboa ao novo inspetor, até se pôr nos termos de vir erigir a fábrica à vista dos conhecimentos práticos da referida mina, do que a este sem a mínima esperança de lucro para o futuro.38
Eschwege, em seu Pluto Brasiliensis, publicado em 1833, descreveu com tom irônico o fracasso de João Manso ao tentar conseguir obter ferro. Assim, comentou o autor:
Em 1801, um certo João Manso, mulato de nascimento, tendo extraído dos livros alguns conhecimentos químicos e portanto, segundo o modo de pensar dos portugueses e brasileiros, devia estar habilitado para fabricar ferro, obteve do governo a incumbência de construir um novo forno de fundição. devia ser auxiliado pelo irmão do conhecido mineralogista andrada, que fora nomeado inspetor das minas, em virtude de ter traduzido a mineralogia de Bergmann em Portugal. Construíram eles um alto forno de tijolos, nas terras do Capitão Mor de Sorocaba e assentaram um fole manual, certos de terem feito o Necessário para dar início à fundição. Várias das mais importantes pessoas das vizinhançAs foram convidadas como para uma grande festa. Como é fácil prever, apesar de acionarem o fole e descarregarem o carvão e minério no forno, nenhum ferro apareceu no cadinho. João Manso e o inspetor fugiram as escondidas dali, e os convidados, indignados, tiveram de voltar para as suas casas. Foram feitos todos os esforços para se chegar um resultado, porém inutilmente. João Manso, homem de muito tino, que mais tarde vim a conhecer, ria-se gostosamente de toda essa história, tendo chegado à conclusão de que para fabricar ferro em grande escala, não bastavam conhecimento de química.39
No trecho de Eschwege, a menção do autor ao fato de Manso Pereira reconhecer que para a construção de uma fábrica de ferro não bastavam apenas conhecimentos de química, deixa transparecer os limites do autodidatismo do naturalista. Manso não saiu do espaço colonial para ir estudar nas principais escolas de mineração da época como Freiberg e a Escola de Minas de Paris, e nem muito menos teve acesso às aulas de mestres reconhecidos no período, como Abraham Gottlob Werner. Portanto, ao conhecimento químico, era necessário que ele tivesse os conhecimentos técnicos práticos de extração e produção dos materiais minerais.
Deve-se acrescentar também o fato do minério da região de Araçoiaba ser titanífero e fosforoso, de redução difícil, exigindo dispêndio exagerado de carvão, como nos informou Othon Lernardos40, o que sem dúvida também dificultou o sucesso do empreendimento.
No relato de Eschwege, a única informação que suspeito de sua veracidade diz respeito ao fato de Martim Francisco estar auxiliando a João Manso no processo de construção do forno de fundição, uma vez que o próprio Martim foi o escolhido pelo governador para substituir Manso em tal empreendimento.
Ainda que fosse do interesse do Governador o retorno de João Manso para o Rio de Janeiro, tal fato não se concretizou de imediato. João Manso recebeu a Carta de 02/12/1801, já mencionada, e a respondeu ao Governador. Este último, por sua vez, respondeu à de Manso criticando-o pelo fato de afirmar que a única coisa que lhe impedia o início do estabelecimento da Fábrica de Ferro era a falta de "barro infusível para a fatura dos fornos". O Governador lembrou ao naturalista que todo barro existente nos contornos das Minas de Varaçoiaba era fusível "pela grande quantidade de óxido de ferro, de que se acha impregnado, mas que este inconveniente é fácil remediar-se mandando-se conduzir o barro em pau desta Cidade para lá se construírem os tijolos, se cozerem, e se fazerem com eles os sobreditos fornos".41
Quanto à falta de artistas reclamada por Manso, o Governador respondeu que não mandaria buscá-los na Capitania do Rio de Janeiro, uma vez que na de São de Paulo tinha pedreiros, ferreiros, carpinteiros e engenheiros. Contudo, a situação mais complicada residia no pedido de contratação de um fundidor de ferro, que segundo o Governador deveria ser o próprio João Manso, uma vez que
quando S. A. R. o nomeou Inspetor da Fábrica foi persuadido de que pelas insinuações que V. M., desse aos Obr., fundadas nos seus ensaios Docimásticos, se poderão dirigir os trav. da Fábrica em grande; por cuja razão lhe mandou dar 800$000 réis cada ano. isto mesmo é o que deprendi da carta de Vmce. de 30 de maio de 1800 em que me diz que tinha descoberto um método para fundir aquela mina com mais facilidade, e maior rendimento, e que para o ratificar queria reiterar às suas tentativas, e experiênciAs mandando-lhe eu vir dezesseis arrobas da mina, e as mais coisAs necessárias para este fim, e tendo expedido as ordens ao Almoxarife para lhe pôr em casa tudo o que Vmce. exigia, soube depois que Vm. apenas recebera a referida porção de mina, sendo-me até o presente desconhecida a razão porque não quis se aprontasse o mais. 42
No final da Carta, o Governador perguntava de forma rígida ao naturalista se ele iria ou não dar início aos primeiros fundamentos da mencionada fábrica, "pondo-se-lhe lá barro infusível, e os artistas de que fiz menção, e mais operários necessários para a dita obra para que desenganado desta sorte possa V. M. dar a sua A. R. a razão final da demora, ou impossibilidade que há em se cumprirem neste prazo as suas Reais Ordens".43
Todas essas ordens do Governador para João Manso não tiveram efeito algum. Em 1803, Franca e Horta determinou que Martim Francisco fosse fazer um estudo sobre as minas do morro de Araçoiaba ou morro do ferro, colocando um ponto final na participação de João Manso nas atividades de construção da já mencionada Fábrica de ferro.
Notas
1 Uma análise contextualizada e detalhada dessa Memória ver: Maria de Lourdes Viana Lyra. A Utopia do Poderoso Império: Portugal e Brasil: Bastidores da Política, 1798-1822. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1994.
2 Maria Beatriz Nizza da Silva. A cultura luso-brasileira: da reforma da Universidade à Independência do Brasil. Lisboa: Editorial Estampa, 1999.
3 D. Rodrigo de Sousa Coutinho. Memória Sobre o Melhoramento dos Domínios de Sua Majestade na América (1797 ou 1798). In: D. Rodrigo de Souza Coutinho. Textos Políticos, econômicos e Financeiros (1783-1811). Lisboa: Banco de Portugal, 1993, p. 51.
4 Idem. Ibidem, p. 53.
5 Ana Maria Cardoso de Matos. Ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial no Portugal oitocentista. O caso dos lanifícios do Alentejo. Lisboa: Editorial Estampa, 1998.
6 Ângela Domíngues. Um novo conceito de ciência ao serviço da razão de Estado: a viagem de Alexandre Rodrigues Ferreira ao norte brasileiro. In: Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Ciclo de Conferências. Lisboa: Academia de Marinha, 1992.
7 Carlos A. L. Filgueiras. João Manso Pereira, químico empírico do Brasil colonial. Química Nova. São Paulo, 16(2), (março/abril ):1993.
8 M. D. Moreira de Azevedo. O Rio de Janeiro, sua história, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades. Rio de Janeiro: B. L. Garnier, 1877.
9 Octavio Tarquínio de Sousa. História dos Fundadores do Império do Brasil: José Bonifácio de Andrada e Silva. vol. I. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio, 1957.
10 DOCUMENTOS INTERESSANTES para a história e costumes de São Paulo (DI). São Paulo: Divisão do Arquivo do Estado/Secretaria de Estado de Cultura, v. 89, 1950, p. 15-16.
11 DI, vol. 89, p. 34.
12 Pouco se sabe sobre as atividades do naturalista Francisco Vieira Goulart (1765-1839). Ele foi sócio da Academia Real dAs Ciências de Lisboa, e, veio para o Brasil acompanhando o bispo de São Paulo recém-designado, com a proposta de fazer observações mineralógicas e redigir uma descrição físico-econômica do Bispado de São Paulo. Fruto de seus trabalhos nesse empreendimento, Goulart produziu com data de 14/08/1798, uma pequena memória intitulada Sobre as Nitreiras na Capitania de São Paulo. (DI, Vol. XXXI:182-188) Sabe-se também que o mesmo naturalista não obteve êxito na montagem de um laboratório farmacêutico de que tinha sido encarregado (Projeto Resgate - Capitania São Paulo - II - Mendes Gouveia, Doc. 4120), assim como também sofreu inúmerAs dificuldades para assumir a Cadeira de Filosofia Racional e Moral para a qual foi nomeado (Idem. Ibidem, Doc. 4378 ). Ele foi também Cônego da Capela Imperial, um dos primeiros diretores da Imprensa Nacional, redator da Gazeta do Rio de Janeiro e bibliotecário da Biblioteca Imperial e Pública da Corte. Foi nomeado diretor do Laboratório Químico-Prático do Rio de Janeiro em 1812. Nadja Paraense dos Santos. Laboratório Químico-Prático do Rio de Janeiro - Primeira Tentativa de Difusão da Química no Brasil (1812-1819). Química Nova. São Paulo, Vol. 27, N.º 2, 2004.
13 DI, Vol. 89, p. 17.
14 Sobre essa política de investigação de depósitos de salitre ordenada por D. Rodrigo por váriAs localidades da América Portuguesa e o caso específico do naturalista João da Silva Feijó ver o artigo de: maria Margaret Lopes et al..Scientific Culture and Mineralogical Sciences in the Luso-Brazilian Empire: The Work of João da Silva Feijó (1776-1824) in Ceará. Science in context. New York, 18(2), 1-24, 2005.
15 DI, Vol. 89, p. 35.
16 DI, Vol. 29, p. 65-6.
17 DI, Vol. 87, p. 168.
18 DI, Vol. 89, p. 206.
19 Clarete Paranhos da Silva. O desvendar do grande livro da natureza: um estudo da obra do mineralogista José Vieira Couto, 1798-1805. São Paulo: Annnablume/Fapesp; Campinas: Unicamp, 2002.
20 DI,Vol.89, p. 171.
21 Idem. Ibidem, p. 172.
22 Og Natal Menon. A Real fábrica de ferro de São João de Ipanema e seu mundo, 1811-1835. São Paulo: PUC-SP ( Dissertação de Mestrado ), 1992.
23 DI, Vol. 29, p. 186.
24 Idem. Ibidem, p. 186.
25 DI, vol. 87, p. 196.
26 DI, Vol. 29, p. 217.
27 DI, vol. 87, p. 202-203.
28 Jesuíno Felicíssimo Jr.. História da siderurgia de São Paulo, seus personagens, seus feitos. são Paulo, 1969.
29 DI, vol. 89, p. 207.
30 Idem. Ibidem, p. 243.
31 DI, vol. 93, p. 29.
32 DI, vol. 30, p. 175.
33 Idem. Ibidem, p. 175.
34 Idem. Ibidem, p. 176.
35 Docimasia é o exame destinado a determinar a proporção em que os metais estão contidos nos minérios.
36 Idem. Ibidem, p. 177.
37 Idem. Ibidem, p. 179.
38 Idem.Ibidem, p. 179.
39 W. L. von Eschwege. Pluto Brasiliensis. 2º volume. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Belo Horizonte: Livraria Itatiaia Editora Ltda., 1979[1833].
40 Othon Henry Leonardos. Geociências no Brasil: a contribuição Britânica. São Paulo: Fórum, 1970.
41 DI, Vol. 93, p. 35.
42 Idem. Ibidem, p. 35.
43 Idem. Ibidem, p. 36.
Outros artigos de Alex Gonçalves Varela:
- Ciência e Patronagem na Correspondência entre D. Rodrigo de Sousa Coutinho ("pai e Protetor") e José Bonifácio de Andrada e Silva ("Venerador Sincero e Criado Humilíssimo") (1799-1812)
- A atividade científica do naturalista Martim Francisco Ribeiro de Andrada na direção geral das minas de ouro, prata e ferro da capitania de São Paulo: um espaço de produção científica na América portuguesa no início do século XIX




