Produção das comunidades das ilhas de Belém na atualidade: o caso do Combu
A utilização dos recursos naturais e do território perpassa as formAs econômicas, sociais e simbólicas de produção e reprodução dAs comuniudades consideradas tradicionais. No caso das comunidades da ilha do Combu, as estratégias de reprodução e utilização dos recursos naturais e do território inferem entre aqueles aspectos, ora através do manejo e extrativismo do açaí, que mantém 90% da renda no período de safra, ora na utilização, seleção e apropriação da memória como forma de afirmação de valores e atitudes frente à disputa pelo território, relacionando-se com a reprodução da própria comunidade enquanto sujeitos ativos, nas disputas hegemônicas de poder na atualidade.
O artigo trata da experiência de pesquisa realizada para o Mestrado em História Social da Amazônia da UFPA, sobre a história da produção e reprodução das comunidades das ilhas de Belém, especificamente da ilha do Combu, com enfoque para a relação com a natureza, principalmente a partir de 1980, portanto o estudo refere-se a história da atualidade.
Para perceber as mudanças e permanências no modo de vida das comunidades procuramos conhecer seu passado, através das histórias de vida; mesmo considerando que as situações atípicas de surgimento da energia, TV, restaurantes, turistas, pode nos fornecer também o pensamento e formas de viver consideradas tradicionais das comunidades do Combu, pois "geralmente um modo de descobrir normas surdas é examinar uma episódio ou uma situação atípicos"1., mas não qualquer passado definido aleatoriamente pelo pesquisador, mas ao passado com significação no presente, vivo na memória, que foi possível através da história oral e da memória dos moradores mais antigos.
As relações que se estabelecem são, acompanhando o raciocínio de Schama (1996), "históricas e determinadas por uma série de particularidades culturais e locais"2, na qual há uma memória da paisagem e a natureza dos espaços serve como referência para a memória das relações vividas e construídas no cotidiano.
Trocam-se influencias materiais, simbólicas, na natureza dos espaços e tempos, definindo espaços a serem utilizados para o extrativismo, horário em que devem realizar suas atividades, e das possibilidades de problemas acontecerem quando realizam em outros horários e Contextos essas atividades, explicadas através da confluência do local, das águas e das simbologias, na qual os terrenos não são considerados apenas em seus aspectos materiais e físicos, mas também simbólicos, e fundamentalmente inseridos em suas cotidianidades e relações.
A adaptação das espécies aos horários em que realizam o extrativismo são realizadas também em função de suas simbologias, inseridas nas experiências que vivenciaram no cotidiano
(...) porque não é bom não, o mato chora, os bicho pega (...) hoje eu pego só pra beber né, meus filho já pega, vende também, os cacuar também, e já o açaí mais no verão, açaí do inverno dá até bem, mas dá menos (...) Pega de manhã, tarde e noitinha agente toma (...) mas uma vez eu fui, não sei o que foi, se curupira, se os mato mesmo, mas eu fui já tarde, era pra vender, mais (...) fiquei oito dias doente, com muita febre, com dor no corpo(...)3.
Conhecem os terrenos, ‘o mato’, os rios, relacionando com suas simbologias, melhor dizendo, sua simbologias fazem parte deste conhecimento, nos informando os melhores caminhos, direção e horário para passagem dos barcos e dos cascos-canoas, no ir e vir das marés, pois,
"Lá quando entra no Benedito, já próximo do paciência, tem que ter o cuidado todo, nas partes de rebujo forte, de maresia, nós vamo só pelo lado do seu Chico, que é cuidado, mais calmo (...) a água de maré né, porque é muito forte, e até se vê, né, é uma preguiça encantada que mora, lá no fundo (...) de longe pensava que era alguém nadando (...)"4.
Nos informam que os terrenos e os rios são habitados pelAs espécies vegetais, pelas comunidades e pessoas, pelos seres vivos, e por seres ‘das simbologias’, que são tão vivos quanto, inclusive nas memórias, assim suas natureza dos espaços e tempos são construídas nas atividades diárias, baseadas em aspectos materiais, econômicos, simbólicas, inseridas e presentes em suas relações sociais.
Mesmo com essas simbologias presentes na cotidianidade e nas teias das relações sociais, devemos atentar que estas não são homogêneas e estáticas, pois, entre os mais Jovens, por exemplo, parece haver uma explicação baseada também em outros aspectos.
"Nós sabemos que é questão do tamanho do rio, do fundo, das características do relevo e (...) mas nós respeitamos, as pessoas, e também duvidar pra quê, né? (...) mas também é um caminho lá do Benedito pra cá que é mais rápido, com o barco do João [marido] é mais seguro, e agente passa, mas a mamãe fica rezando, sempre fala, olha cuidado (...) Ah, o barco, ele comprou, compra pros reparo, tem uns cinco anos"5.
na natureza dos espaços e dos tempos estão imbricadas nos aspectos materiais, físicos, os rios, a terra, os terrenos, ‘o mato’, na economia, na forma de extrativismo, nas simbologias e valores, em movimento no cotidiano das comunidades do Combu, nAs marés e nos mitos por área influenciando na natureza destes espaços e tempos, para horário e utilização dos recursos naturais, percebendo que suas simbologias influenciam nas suas relações sociais, nas relações que estabelecem com a natureza.
na terra e nos terrenos no qual vivem, no tipo de extrativismo que realizam e a forma de se relacionar com a natureza, também tem influência às titulações de posses e propriedades destes terrenos. Percebemos que quando se sentem ou são ‘donos’ das áreas, realizam um tipo de extrativismos e de Cuidados e quando ‘não são’ ou não se sentem proprietários e donos realizam outro tipo de extrativismo e de Cuidados, que foram expressos nas experiências que viveram, como a exploração de palmeiras de açaí para comercialização de palmito por empresa no Combu, ocorridos na década de 80 do XX, a Palmazon.
A questão da propriedade do terreno, expressa nas falas dos sujeitos, é uma questão que influencia na natureza dos espaços e tempos nAs comunidades do Combu.
meu pai veio morar aqui, morreu com 88 anos, o Dono era o Gabriel e o Clóvis, era até uma pessoa boa, mas meu pai dizia vamos cuidar do nosso aqui, nesse de casa, nosso cacuar, o açaí, e também trabalhava pra eles junto, (...) preferia trabalhar assim do que derrubar tudo, como era pra eles (...) diziam que eles tinham muita terra, tinham em Boa Vista, no Piriqitaquara, aqui, (...) e então minha mãe e meu pai cuidavo desses aqui e dos de lá tiravam tudo né, e também eles davam a metade, eles davam direitinho(...) depois vendeu pro Hermes, e depois leiloaram esse desse lado pro Eugênio e ficou essa questão, questão, questão (...) dos nomes assim todinho não sei (...)eu nunca soube como eram que compraram(...) eles diziam e tinham documento e então diziam esse terreno é meu, meu compadre cansou de dizer, vamos ver, se já nascemos e se criamo aqui, ele tinha 89 anos, já se foi até6.
A questão de propriedade e posse dos terrenos influenciou no tipo de extrativismo realizado. Percebe-se que ocorreu e vivo na memória, a prática de ‘meeiro’, na qual os moradores recebiam metade dos produtos, do extrativismo realizado, e a outra metade, pertencia aos considerados donos e proprietários dos terrenos. Mesmo com a dependência econômica e sem o documento de propriedade dos terrenos, na qual exploravam e realizavam um tipo de extrativismo. Nas suas proximidades e de suas casas, realizavam outro tipo de cuidado e extrativismo, havendo a preocupação com a subsistência, com seus cotidianos.
Nas ressignificações da memória, informam de estratégias realizadas para manter suas subsistências, mesmo sem o título de propriedade.
Através dos documentos relativos a pedido de ‘inscrições de ocupações’, datadas do ano de 1995, na GRPU, pudemos inferir que passam a existir preocupações, formalmente manifestadas, das comunidades do Combu referente à titulação de propriedade das áreas na qual moram, a partir do final do XX.
um fato recente ocorrido da tentativa de apropriação de território por uma pessoa que não mora na área com a expropriação para desalojar dezoito famíliAs da área em questão7, tendo intervenção do ministério público para averiguar o problema, pôde demonstrar as possibilidades, Dificuldades e formas de apropriação dos territórios no Combu, bem como compreender as preocupações dos moradores da Ilha8.
Podemos inferir, baseados nas informações, que a titulação de propriedade dos terrenos no Combu, influenciou de maneira direta as condições econômicas, sociais, de tipo de extrativismo realizado, influenciando suas naturezas dos espaços e tempos.
na imprensa local foi divulgado o caso
"em uma área de 280 hectares da ilha do Combu, vivem 18 famílias, elas têm até o próximo dia 22 para desocupar a área, movida por um processo de um empresário paranaense chamado Eugênio Cichoviski, que se diz dono. A Advocacia Geral da União vai pedir a suspensão do processo que pode despejar As famílias na ilha"9,
bem como "União entrará na briga pelo Combu"10.
"quando ele chegou nós Já morava aqui, sempre morei, então meu marido trabalhou dez anos dando meia pra ele, e a despesa toda era nossa, o gasto, o dele era limpo (...) Depois, agora já, tem uns dois anos, nós resolvemo não aceitar, e aí aconteceu essa questão toda"11.
suas memórias tomaram como referência à luta pelo espaço, situação neste contexto fundamental, a partir dos quais reconstroem o passado, resignificando-o, onde "os espelhos do passado se misturam com os labirintos complexos do presente"12.
As reproduções de suas culturas possuem níveis diversos de significados, e esses níveis no extrativismo do açaí, da pupunha, nas atividades cotidianas, que nos moveu e interessou para a compreensão e sentido explicativo do combu.
Através da estação científica do MPEG, implantada em 1989, "para estudos, experiências e implementação de novas práticAs na comunidade do Combu"13 sobre o tipo de extrativismo de açaí realizado e uma nova possibilidade de "plantio que visasse coleta de uma espécie de pupunha, distribuídas, por área, presentes nas populações vegetais centrais do Estado do Amazonas"14. As primeiras espécies de pupunha foram ocasionadas em 1995 "de boa qualidade e adaptadas ao clima e várzea da área estudada"15.
"Agora nesse tempo já tem essa pupunha aí, olha tão lá apanhando, meus Netos (...) mas essa aí ainda não é da boa (...) a boa mesmo vai chegar agora, que vai dá, essa é boa, mas é mais seca, a daqui que é boa"16. "Tem essa aí, o pato tem aí, (...) mas ainda não é da boa assim, essa é seca, e da pra vender umas, mas da boa mesmo, a daqui, ainda não tá no tempo (...) daqui uns meses"17.
Interessante poder observar que as novas possibilidades surgidas com o desenvolvimento científico são significadas e ressignificadas na cotidianidade pelas comunidades do Combu.
Embora considerem importantes os Projetos científicos realizados na área, como o da inserção, cultivo e manejo de uma nova espécie de pupunha, pelo MPEG, as comunidades reelaboram essas possibilidades no cotidiano, adaptando-as a seus conhecimentos, a suas formas de relação com a natureza anteriormente estabelecida. ao mesmo tempo, contraditoriamente e reciprocamente, que utilizam a nova espécie, realizam seu cultivo, fazem o manejo, coletam os frutos das pupunhas, classificam estes como melhores para a comercialização, e ainda assim, consideram de qualidade inferior à espécie de pupunha anteriormente e que Continua sendo cultivada, considerada como ‘daqui’.
Há uma tradição seletiva, onde elementos do passado são deliberadamente reintroduzidos e revividos as novas possibilidades da atualidade, pois metaforizando Williams (1989), devamos ter a preocupação e o cuidado para que, na tradição cultural, não negar ou deixar escapar os elementos essenciais de produção na inovação no momento em que ‘acontece’ a inovação em processo, enfim, "as culturas devem ser encaradas como se fazendo ativamente: ativa e continuadamente (...) Parte desse fazer-se é reprodução, reprodução e inovação, tradição na reprodução em ação"18.
Estudos realizados19 sobre o Combú informam que a forma de manejo tradicional do açaí realizada é viável economicamente e equilibrada do ponto de vista ecológico.
Nos últimos anos, vem se imbricando novas demandas para estAs atividades, principalmente o extrativismo do açaí, e função dos novos interesses de mercado, ocorrendo, portanto, reordenamento na relação dos moradores com a ‘natureza do espaço e tempo’, tanto de forma econômica, quanto simbólica e política.
Situar e entender a extração de palmitos na ilha, para as comunidades em suas experiências e memória, torna-se necessário para compreender As mudanças que ocorreram no contexto da implantação de fábrica de palmito, na década de 80 do XX, a pALMAZON. E as signifcações e ressignificações que ocorreram após a saída desta, visto que, presente na memória de alguns moradores, refeita, reelaborada, do passado recente.
A extração, feita de maneira predatória, segundo a visão de alguns moradores, foi o principal fator que levou a empresa a decretar falência, ainda que alguns moradores tenham trabalhado para a mesma.
Eu trabalhei p’ra eles, eu e mais treze, no corte pra fazer palmito, mas eles que davam as ordens, não conheciam nada (...) sabe que se derruba todo o teu açaizeiro (...) pra dá de novo, só daqui a três, quatro anos (...) então queriam usar tudo, e então não deu conta né, era uma tristeza de vê isso aqui, desse lado aí nesse terreno(...) agora ta saindo da safra, vai entrar o tempo pra roçar, e isso não se fazia neles, não tinha isso20.
Não, no meu aqui não (...) porque não vale a pena derrubar todo o nosso açaizal, acabar com tudo, é uma tristeza, e pra sempre viver castigado então (...) eu preferia vender de pouco, todo dia, na feira, tenho uns comprador certo21.
Trabalharam para a fábrica de exploração de palmito instalada em terreno no Combu, realizando um tipo de extrativismo diferenciado em relação ao realizado em seus terrenos, inseridos no processo de contradição presentes naquele momento. Hoje refazem e ressignificam este período em suas memórias, na qual a relação do passado-presente foram ressignificadas e atualizadas na memória-conhecimento, uma vez que tiraram importantes aprendizados de tal experiência, assumindo a postura do cuidado, e reafirmando as suas práticas nestas atividades.
A questão da propriedade é fundamental para o estabelecimento de suas práticas, uma vez que pareceu exposto que não tinham a responsabilidade sobre a área na qual não eram donos efetivos.
As intervenções externas de novas demandas e apropriação de espaços, como a construção de restaurantes, as trilhas ecológicas e o turismo na ilha do Combu, ocorridos principalmente a partir dos anos 1980, influenciam e forjam novAs formas de relações e reflexos também dessAs novas relações com a natureza, natureza dos espaços e tempos.
para as comunidades do combu, novas possibilidades estão em curso, parceiras e projetos, onde aparecem as possibilidades da gestão ambiental.
Percebemos a necessidade e começa a se delinear a intenção da realização de gestão ambiental na ilha do combu, manifestado pelos órgãos como GRPU, IBAMA, UFRA, entre outros, e as comunidades do Combu, na qual o papel das Instituições passa a ser de gestora auxiliar nAs comunidades, prevendo possibilidades de conscientização e também de regularização e fiscalização de aplicação das leis e normas ambientais.
É assim que compreendemos a transformação da Ilha do combu em Área de Proteção Ambiental, através de LEI Nº6.083, de 13 de novembro de 1997, mesmo sEm desconsiderar a importância para as comunidades do Combu e também sem desconsiderar seus efeitos, e compreendemos também a discussão da transformação da área em Reserva Extrativista, assumida como possibilidade pelas comunidades do Combu junto aos órgãos, que envolve discussões na cotidianidade das comunidades, e que demonstra as possibilidades da modernidade na atualidade, de classificar, regularizar, proteger, se proteger e se relacionar com a natureza, enfim, são modos reguladores do estado, que tem influência no cotidiano, de uma sociedade que se construiu e se constrói, sobre a contradição natureza/civilidade, tradicional/moderno, rural/urbano, e quem sabe na atualidade tenta dispor sonhos esperanças e pesadelos sobre a contradição poluidor/sustentável.
Importa dizer que, mesmo sem querer fazer generalizações abruptas e que possam apagar outros detalhes de outras realidades, há no processo de Construção histórica da sociedade global uma tentativa de naturalizar relações sociais de poder, e de domesticação da natureza, construída na longa geração do processo de modernidade, que no Combu, As comunidades significam e ressignificam suas tradições inseridas na contradição da própria modernidade na atualidade.
Notas
1 THOMPSON, E.P. As Peculiaridades dos Ingleses e Outros Artigos. Unicamp, 2001, p.235.
2 SCHAMA, S. Paisagem e Memória. são Paulo: Cia. Das Letras, 1996, p.63.
3 Seu Plácido, 83 anos. Entrevista realizada em 09/02/2006.
4 Edna, moradora do Furo Benedito. Entrevista realizada em 16/12/2005.
5 Rosiléia, 25 anos, moradora do Furo do Benedito. Entrevista realizada em 24/02/2006.
6 D, Catarina 75 anos, moradora do igarapé Combu. Entrevista realizada em 22/01/2006.
7 As terras em questão foram adquiridas e compradas em um leilão em 1980, por cento e vinte e três mil cruzeiros, como pertencendo à fazenda estadual, segundo a carta de arrematação.
8 O processo de pretenso proprietário de terreno localizado na Ilha, contra despejo de aproximadamente 18 famílias, estava sendo julgado na 6ª vara civil.
9 jornal O Liberal, 15/03/2005.
10 jornal O Diário do Pará, 15/03/2005.
11 D. Fátima, moradora do Combu. Entrevista realizada em 15/02/2006.
12 REZENDE, A P. O Recife: os espelhos do passado e os labirintos do presente.Projeto História.São Paulo: PUC, nº18, 1999, p.158
13 Relatório do MPEG - 1990.
14 Relatório do MPEG - 1990.
15 Relatório de Pesquisa do MPEG - 1996.
16 D. Angélica, moradora do Combu. Entrevista realizada em 10/10/05.
17 Seu Rui Quaresma, morador do Combu. Entrevista realizada em 13/01/2006.
18 WILLIAMS, R. O Campo e a Cidade na história e na literatura. São Paulo: Cia das Letras, 1989, p.198.
19 JARDIM, M. A. G. Aspectos da produção extrativista do açaizeiro (Euterpe oleracea Mart.) no estuário amazônico. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - série Botânica, v. 12, n. 1, p. 137-144, 1997; JARDIM, M. A. G. Usos de palmeiras em uma comunidade ribeirinha do estuário amazônico. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi - Série Botânica, v. 14, n. 1, p. 69-77, 1995; entre outros
20 Seu Rui, morador do Combu. Entrevista realizada em 18/01/2006.
21 Seu Parao, morador do Combu. Entrevista realizada em 17/01/2006.




