Os rituais e a construção social do espaço nas missões jesuíticas (Paraguay, Brasil e Argentina, séculos XVII e XVIII)
O ritual, em seus diferentes componentes sonoros e visuais, constituiu uma ferramenta eficaz de conversão dos povos indígenas nas principais regiões de ação missioneira da América do Sul. Com o passar das décadas, as atividades rituais tenderam a estruturar a organização sócio-política e o cotidiano dos indígenas nos povos reduzidos, a partir dos espaços e dos valores da religião católica. Na historiografia missioneira do Paraguai, do Brasil e da Argentina, esta dimensão da vida das missões tem sido geralmente omitida da análise, predominando uma visão da povoação indígena como setor passivo e desprovido de pontos de vista e sentidos sócio-culturais singulares e próprios. Esta apresentação propõe superar as perspectivas historiográficas tradicionais (apologéticas e antijesuítas) proporcionando um panorama das atividades rituais do contexto missional como veículo da agência indígena. Para isto se estabelecem os vínculos simbólicos entre essa agencia e a organização social do espaço missional na longa duração.




