Os discípulos de Capistrano de Abreu: Paulo Prado e o “Caminho do Mar”
Esta comunicação tem como objetivo estabelecer um paralelo entre o artigo Os Caminhos antigos e povoamento do Brasil de autoria de Capistrano de Abreu e Caminho do Mar de autoria de Paulo Prado, observando quais as perspectivas historiográficas que nortearam o trabalho e que foram atribuídas pelo "discípulo" a orientação do seu "mestre-amigo". O Caminho do Mar, trabalho desenvolvido a partir da sugestão de Capistrano de Abreu e seguindo um gráfico do desenvolvimento de São Paulo oferecido por este a Paulo Prado, busca compreender a formação de uma "raça paulista" que adquiriu suas particularidades a partir da estrutura peculiar da geografia do território, desenvolvendo assim, um típico trabalho aos moldes da antropogeografia, ciência desenvolvida e estimulada por Capistrano de Abreu e considerada por este necessária para a compreensão da nação.
1. Uma breve introdução: a Sociedade Capistrano de Abreu.
Ao 23º dia do mês de agosto de 1927, o Barão de Studart, residente em Fortaleza, recebeu do Rio de Janeiro uma correspondência de conteúdo bastante peculiar. A missiva tratava de um convite, ou melhor, de uma convocação, que portava a seguinte passagem:
Amigos e discípulos de Capistrano de Abreu, sabedores de quanto seu admirável exemplo contribuiu para elevar a intellectualidade de nosso meio, unimo-nos para procurar tirar os corollarios d’essa grande vida e prolongar-lhe tempos afora o benéfico influxo. Desejaríamos que, no mesmo modestíssimo porão, cella monástica onde viveu, meditou, trabalhou e morreu, se conservasse intacta a bibliotheca que lhe serviu de officina mental. Catalogada e posta em ordem; enriquecida com livros novos de continuadores dos mesmos estudos do Mestre; se tornaria o núcleo central de uma forte cultura a bem de nossa terra e em homenagem de respeito ao grande morto.1
Este é apenas um trecho da carta que foi enviada após a morte de Capistrano de Abreu por seus amigos à intelectuais e políticos de todo o Brasil.2
A correspondência convidava os destinatários a comparecer a antiga casa de Capistrano de Abreu para juntos organizarem um grêmio, que segundo os remetentes, seria
preito de afeição e de respeito à memória do brasileiro excepcional que foi Capistrano de Abreu.3
Os destinatários se reuniriam no dia 11 de setembro de 1927, às duas da tarde no local determinado. Dos convocados, 37 compareceram à sessão, e 26 enviaram correspondências e procurações se fazendo representar naquele encontro. Nesta mesma tarde na cidade do Rio de Janeiro surgiu a Sociedade Capistrano de Abreu.4
Segundo o livro de atas da Sociedade, Paulo Prado assumiu a presidência da sessão e expôs quais os motivos que levaram aquele grupo de intelectuais a realizar o encontro. As informações transmitidas na correspondência destinada aos sócios foram reafirmadas e Miguel Arrojado Lisboa apresentou o projeto dos estatutos da agremiação. Neste projeto, que depois foi confirmado pelos sócios como estatuto oficial do grêmio, foram traçados os principais objetivos da composição da Sociedade. O 1º artigo dos Estatutos demonstra claramente o propósito desta instituição:
art. 1º. Sob a denominação de Sociedade Capistrano de Abreu, fica constituída, nesta cidade, uma sociedade formada pelos abaixo assignados, amigos e discípulos de João Capistrano de Abreu, no propósito de prestarem homenagem à sua memória.5
Foi este o exercício realizado pela Sociedade Capistrano de Abreu em seus 42 anos de atividade: prestar homenagem à memória de Capistrano de Abreu. Porém, essa prática se apresenta como objeto de reflexão do historiador, na medida em que não demonstra apenas a realização de uma simples homenagem, mas As estratégias de um determinado grupo de indivíduos para construir uma imagem, ou representação de um outro indivíduo, não mais presente, para o resto do corpo social.
Dessa forma, esta pesquisa se propõe a investigar a prática de construção da memória do historiador João capistrano de Abreu pela sociedade que recebeu o seu nome, no período no qual esta realizou suas atividades (1927-1969), problematizando As relações estabelecidas por esta instituição com o regime político e conjunturas econômico-culturais que lhe deram origem.
Pensando no contexto onde esta Sociedade começou a desenvolver suas atividades, ou seja, no final da década de 20, podemos observar que a reunião de letrados em torno de academias ou instituições culturais e científicas era algo ainda bastante comum no campo da produção intelectual, visto que a instauração do saber especializado dentro das universidades só se efetuou no Brasil durante os anos 30.6
Dessa forma, a produção do conhecimento científico sobre a história e a geografia nacional ainda era oficialmente restrita às academias que existiam nos estados da federação aos moldes do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).7
Seguindo o paradigma francês do século XVIII para a socialização de intelectuais e para a produção e divulgação do saber, os Institutos Históricos foram durante um século o núcleo da produção histórica e geográfica nacional. Portanto, é importante ressaltar que a organização escolhida para configurar a recém fundada sociedade já era uma forma bastante recorrente no campo de produção cultural nacional e estrangeira.
A Sociedade Capistrano de Abreu possuía uma organização semelhante a do IHGB. O grêmio consistia na reunião de intelectuais divididos em níveis de pertencimento, ou seja, sócio efetivo (110 vagas), sócio correspondente ou honorário (30 vagas). Porém, o número de sócios é um demonstrativo do caráter peculiar e distintivo desta instituição em relação as suas contemporâneas. O IHGB, por exemplo, tinha a sua quantidade de sócios efetivos limitada ao número de 50. Todavia, o caráter congregador da Sociedade Capistrano de Abreu, pelo menos em sua primeira formação, não se definia apenas por uma afinidade intelectual, mas por uma prática baseada no exercício da amizade e de "culto" a Capistrano de Abreu, por isso o número tão elevado de sócios.
Dois relatos a respeito da fundação da sociedade são significativos para se perceber as particularidades da Sociedade Capistrano de Abreu. O primeiro foi realizado por Eugênio de Castro que assim narrou a criação da instituição:
paulo Prado, teve então para quem o acompanhava a confidencia de uma idéia reveladora de fina sensibilidade. E era que, sendo Capistrano de Abreu um guia, um mestre paternal dos que estudavam e escreviam, bem competiria a estes, discípulos e amigos, o culto do sábio para além da existência terrena prestes a extinguir-se... Uma academia que consagrasse tão bella vida votada ao estudo e ao bem, seria em desacordo aos sentimentos do mestre; mas uma sociedade dos bons amigos de Capistrano...8
Outro relato, desta vez pertencente ao idealizador da sociedade, Paulo Prado, caracteriza o grupo em 1928, após um ano de existência:
a Sociedade Capistrano de Abreu, criada no ímpeto de devoção e saudade, após a sua morte, empreendeu a tarefa de continuar, na medida das suas forças, esse trabalho monumental que o Mestre animava e desenvolvia. A Sociedade é pobre como foi Capistrano. Como ele, vive modestamente; não tem presidente, nem vice-presidente, nem - graças a Deus - orador oficial. Mas alimenta, na humildade, uma fervorosa ambição - a de trabalhar, como queria Capistrano, para "melhor se conhecer o Brasil".9
Pelos relatos acima, podemos demarcar algumas características da Sociedade, a primeira consiste em percebê-la como um lugar de sociabilidade, um lugar de encontro de trajetórias intelectuais, de confluência do grupo. A Diferenciação estabelecida por Eugênio de Castro entre o que seria uma Academia e uma Sociedade já demonstra um dos seus diferenciais.10 Esta não possuía exclusivamente em suas atividades o caráter direcionador de uma instituição condicionada especificamente a produção cultural e Científica.11
O segundo fator a ser apontado é a flexibilidade no que Concernia à hierarquia dentro do grêmio. Como todos eram amigos de Capistrano ou seus admiradores, o que prevalecia nAs reuniões era uma descontração com relação aos protocolos institucionais.12
Por possuir estas duas dimensões, ou seja, a de uma instituição ligada ao campo da produção científica sobre a história e a geografia do Brasil, e a dimensão ligada a pratica da amizade, esta associação se diferencia.13
2. Os discípulos do "Mestre-amigo": Paulo Prado e o "Caminho do Mar".
Talvez uma das maiores inquietações com as quais se depara o pesquisador ao observar uma instituição como a Sociedade Capistrano de Abreu seja entender o porquê da existência de uma associação com essAs características. Como um grupo de pessoas se reúne com a preocupação de conservar a memória do outro já ausente, e além desta questão por que Capistrano de Abreu foi alvo de tamanha preocupação por parte de seus pares.
Como Forma de elucidar esta questão, três aspectos são percebidos nesta pesquisa como fundamentais. O primeiro diz respeito a própria constituição do universo letrado brasileiro no período, na medida em que a Sociedade Capistrano de Abreu não foi solitária em seu projeto de constituição de um vulto, de uma referencia para os intelectuais que lhe eram contemporâneos. Particularmente podemos citar a Casa Rui Barbosa e a Academia Brasileira de LetrAs como duas instituições agindo com este mesmo propósito. 14
O Segundo aspecto a ser ressaltado diz respeito a própria concepção de tempo que permeava essa geração de intelectuais. As concepções do regime temporal historicista eram marcantes. Assim, ao se pensar no tempo como uma segmentação natural entre o passado, o presente e o futuro, e no passado como algo passível de perda, a prática cotidiana da Sociedade Capistrano de Abreu de representificar Capistrano através de traços materiais deixados por este (manuscritos, livros, sediar a instituição em sua casa, guardar objetos pessoais) ou mesmo representificá-lo através de objetos e práticas construídos pela própria sociedade (ritos de comemoração de seu nascimento, construção de bustos, criação de praças, dar o nome do historiador a uma rua, encomendar retratos, organizar a publicação de sua obra) se preenche de sentido. Visto que, para estes homens o seu ato de recuperar a memória de um intelectual tido como distinto dos demais pela sua exemplaridade seria um ato benevolente e beneficente em relação as gerações futuras. Pois, para eles, recuperavam um vulto do passado o tornando presente para várias gerações. Em síntese, recuperavam o passado para o futuro.15
O terceiro aspecto corresponde a algo mais próximo de Capistrano de Abreu, as relações de sociabilidade construídas por ele em vida. Nas narrativas dos sócios da instituição, Capistrano de Abreu era constantemente recordado como "mestre" e "amigo", e essas funções sociais exercidas pelo historiador para com os seus pares era uma forma recorrente de justificar a criação da instituição pelos seus fundadores.
Capistrano de Abreu, assim como a maioria dos homens de letras desse período, tinha na escrita epistolar um prolongamento de sua atividade letrada e nessa documentação pode-se observar a trama na qual o autor dos Capítulos de História Colonial pôde construir uma rede sociabilidade. Rede que compreendia tanto os aspectos relacionados ao ofício do historiador, quanto o que poderíamos descrever como questões "mundanas", ou seja, questões relacionadas a vida cotidiana. Assim, nessas missivas pode ser observada a forma na qual estes homens participavam da vida profissional e privada uns dos outros.
Dessa forma, esta comunicação tem por objetivo recuperar não um destes diálogos epistolares, mas o resultado desse diálogo. O resultado das orientações de trabalho oferecidas por Capistrano de Abreu na correspondência trocada com Paulo Prado, observando principalmente como esses diálogos tramados entres os missivistas no que correspondia ao exercício da escrita da história, contribuíram para a redação por Paulo Prado do artigo Caminho do Mar (1922).16 Diálogo que levou Paulo Prado a se representar como discípulo de Capistrano de Abreu, o reconhecendo como seu "mestre" e "amigo". Relação mestre-discípulo que com certeza influiu na decisão de Paulo Prado de fundar uma instituição com o objetivo de cultuar Capistrano de Abreu após a sua morte.
Caminho do Mar foi o trabalho de estreia de Paulo Prado no espaço de produção historiográfica.17 Foi uma estreia tardia, quando o autor já contava seus 53 anos. Porém, como o próprio Paulo Prado relatava, o seu interesse pela História e a possibilidade de nela atuar foram despertados pela leitura do livro Capítulos de História Colonial de Capistrano de Abreu. Contudo, é inevitável não apontar as semelhanças do "caminho" de Paulo Prado com um outro trabalho de Capistrano de Abreu, "Os caminhos antigos e o povoamento do Brasil" (1899).18
Pensando nos aspectos pertinentes ao desenvolvimento da historiografia brasileira, podemos perceber que desde a criação do IHGB até a escrita da História Geral do Brasil por Francisco A. de Varnhagen existia uma necessidade por parte da escrita da história de auxiliar a criação de um Estado Nacional, principalmente devido a um recente processo de independência e descolonização. Todavia, o regime historiográfico no qual os trabalhos de Paulo Prado e Capistrano de Abreu estão inseridos não possuía efetivamente esta característica. O Estado Nacional e o "ser brasileiro" já eram fatos. Esta pequena digressão permite compreender as questões colocadas pelos autores em seus artigos.
Capistrano de Abreu inicia o seu artigo fazendo considerações a respeito das primeiras tentativas de exploração e povoamento do território, para ele estas fariam parte de um "movimento capital" que perdurava até a sua contemporaneidade. E se questiona a respeito da possibilidade de se escrever a história desse movimento: como se deu? Pode-se apanhá-lo em algumas linhas principais, qual de um país se reúnem todas as águas em algumAs bacias preponderantes? É o que se pretende averiguar neste ligeiro esboço.19 Assim, o autor propõe realizar a história das "bacias preponderantes" ou seja, dos principais núcleos de povoamento e de origem de expedições de exploração do território. Para Capistrano não era necessário prosseguir na tarefa de construção de um Estado Nacional e sim de se conhecer as particularidades do Brasil, e principalmente do brasileiro. Brasileiro não tomado em sua unicidade e homogeneidade, mas sim plural. Onde cada uma dessas "bacias preponderantes" propiciou através de sua geografia o surgimento de uma brasileiro particular (sertanejo, gaúcho, bandeirante).
Foi com essa perspectiva que Paulo Prado escreveu o seu "Caminho do Mar", caminho que para o autor propiciou a formação do "tipo paulista". A tese desenvolvida por Paulo Prado consistia em perceber como a posição geográfica de isolamento na qual se encontrava a Vila de Piratininga devido a existência de apenas um caminho - Caminho do Mar - que Colocava a população em contato com a faixa litorânea contribuiu para o processo de constituição da individualidade histórica de São Paulo.20 Segundo o autor:
essAs dificuldades - subidas a pique pela mata virgem, atoleiros fundos de serra acima, rios a vadear - isolaram durante séculos a montanha da capitania da estreita faixa litorânea, e, portanto, do contato pela navegação com o mundo civilizado. NAs predestinações históricas e étnicas do paulista essa função seletiva do Caminho do Mar é incontestável e providencial para a formação do seu caráter e tipo. A população do planalto conservou-se afastada dos contágios decadentes da raça descobridora.21
Isolamento e individualidade tomados como fatores positivos, visto que, para o autor esse isolamento possibilitou uma combinação de "raças" que deu origem ao paulista exemplar que seria o mameluco e por fim o bandeirante. Apontando os aspectos referentes a constituição biológica do paulista, que seria uma combinação do elemento judaico, português e indígena, afirma Paulo Prado: para essa gente desabusada e rude - iberos ou cristãos novos - as índias tupiniquins e guaianases trouxeram, ao desembarcar, a sedução da concubinagem na vida livre da mata virgem e dos vastos campos. Ia surgir desse cruzamento de elementos disparatados o tipo predestinado do mameluco. 22
EssAs idéias podem ser apontadas no artigo de Capistrano de Abreu, o autor reconhecia o isolamento da Vila de Piratininga como um fator determinante na constituição da identidade paulista, e Como o objetivo do historiador era estudar os "caminhos antigos", Capistrano de Abreu aponta a existência de outros caminhos além do Caminho do Mar, porém todas as iniciativas de ligar São Paulo ao litoral ou as outras capitanias são consideradas pelo historiador como obras "anti-paulistas".
os trabalhos dos dois historiadores podem ser percebidos como antropogeográficos. Existem referencias a Friedrich Ratzel, autor que trabalhava os fatores de adaptabilidade dos indivíduos as condições geográficas e considerado "pai da antropogeografia" por Paulo Prado. Essa teoria cientificista era cara a um grupo de historiadores que buscava perceber As particularidades do povo brasileiro, principalmente em um território de dimensão extensa e com uma heterogeneidade de aspectos geográficos.
Dessa forma, podemos perceber os dois autores, assim como o grupo de discípulos reunidos em torno de Capistrano de Abreu, como produtores de uma cultura historiográfica dedicada a compreender os processos de povoamento do território, das miscigenações, principalmente do elemento indígena, e do desenvolvimento de uma cultura nacional, porém múltipla, buscando em um passado colonial, sobretudo nos século XVI e XVII os aspectos determinantes para a constituição dessas particularidades.
Notas
1 Correspondência assinada por Paulo Prado, João Pandiá Calógeras, Eugênio de Castro, Miguel Arrojado Lisboa, adriano de Abreu, Manuel Said Ali Ida, Jayme Coelho, Rodolfo Garcia, afrânio Peixoto, Theodoro Sampaio, Affonso de E. Taunay e Roquette Pinto, e enviada a Guilherme Studart (Barão de Studart) do Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1927. Correspondência pertencente à "Coleção Studart" do Instituto do Ceará.
2 João Capistrano de Abreu (1853-1927) foi um importante historiador brasileiro, reconhecido pela crítica historiográfica como um contribuinte nas transformações teóricas e metodológicas efetuadas na historiografia do final do século XIX início do século XX no Brasil. Os trabalhos publicados em vida do autor correspondem a sua tese de aprovação como professor no Colégio Pedro II intitulada "O Descobrimento do Brasil" (1883), "Capítulos de História Colonial" (1907) e "Rã-Txã-Hu-Ni-ku-i: a língua dos caxinauás do Rio Ibuaçu afluente do Murú" (1914). Capistrano de Abreu também contribuiu com inúmeros periódicos, Sendo esta produção espaçada posteriormente condensada pela Sociedade Capistrano de Abreu em uma série composta por 4 volumes intitulada "Ensaios e Estudos".
3 Correspondência da "Coleção Studart", op.cit. Podemos concluir que esta mesma missiva foi destinada a outros receptores pelas respostas enviadas pelos destinatários, também por meio da prática epistolar. EstAs correspondências se encontram depositadas no Instituto do Ceará e pertencem ao "Fundo Sociedade Capistrano de Abreu".
4 A precisão da data, e do número das pessoas que compareceram ao encontro pôde ser verificado através do Livro de Atas da Sociedade Capistrano de Abreu. Neste livro estão registradas todas as reuniões realizadas pela agremiação no período concernente a 11 de setembro de 1927 até 23 de outubro de 1969, data da última reunião registrada por este grupo. O referido livro pertence ao "Fundo Sociedade Capistrano de Abreu" e se encontra depositado no Instituto do Ceará. Ver: Livro de Atas da Sociedade Capistrano de Abreu, sessão de 11 de setembro de 1927, pág. 01.
5 Estatutos da Sociedade Capistrano de Abreu, 11 de setembro de 1927. Documento pertencente ao "Fundo Sociedade Capistrano de Abreu" do Instituto do Ceará.
6 DIEHL, Astor Antônio. A cultura historiográfica brasileira (do IHGB aos anos 1930). Passo Fundo: EDIUPF, 1998.
7 Sobre o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ver: GUIMARÃES, Manoel L. Salgado. Nação e civilização nos trópicos: O IHGB e o projeto de uma historia nacional. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, n.1. v.1, 1988, p.5-27.
8 CASTRO, Eugênio. Sociedade Capistrano de Abreu. Boletim do Museu Nacional. Rio de Janeiro, v. 4, n.1, 1928, p.12.
9 PRADO, Paulo. Capistrano. In. CALIL, Carlos Augusto (org.). Paulística, etc. 4.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 217.
10 Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, Academia seria uma agremiação, particular ou oficial, com caráter científico, literário ou artístico, e Sociedade seria a reunião de indivíduos que mantêm relações sociais e mundanas; os prazeres da sociedade, homem de sociedade; grupo de pessoas que se submetem a um regulamento a fim de exercer uma atividade comum ou defender interesses comuns, agremiação, centro, grêmio, associação. HOLANDA, Aurélio Buarque de. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 2.ed. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1986.
11 Podemos perceber que o que unia os sócios era o interesse comum de preservar socialmente a imagem do amigo Capistrano de Abreu, porém, é necessário afirmar que a Dimensão cultural e científica não foi abandonada pela Sociedade, o que se pode perceber pelos concursos monográficos realizados sobre a história do Brasil e pelas edições e reedições da obra do "Mestre" Capistrano de Abreu.
12 Esta afirmação foi baseada nos relatos presentes no Livro de Atas da Sociedade Capistrano de Abreu.
13 A firmação se baseia, sobretudo na prática epistolar dos sócios da sociedade, visto que, nestas missivAs são observadas as duas dimensões. O acervo epistolar da Sociedade Capistrano de Abreu corresponde a 233 correspondênciAs passivas e 92 ativas, esta documentação também Se encontra depositada no Instituto do Ceará. Para ver sobre a pratica social da amizade: BUFFAULT, Anne Vincent. Da amizade: uma história do exercício da amizade nos séculos XVIII e XIX. Rio de Janeiro: Zahar Editor, 1996.
14 EL FAR, Alessandra. A Encenação da Imortalidade: uma análise da Academia Brasileira de Letras nos primeiros anos da República (1897-1924). Rio de Janeiro: editora FGV, 2000.
15 CATROGA, Fernando. Memória e História. In. PESAVENTO, Sandra (org.). Porto Alegre: Editora da Universidade, pp.43-64, 2001.
16 Paulo da Silva Prado (1869-1943) pertencia a uma tradicional família paulista, formou-se bacharel em direito em 1889. O autor é reconhecido como um dos principais articuladores da Semana de Arte Moderna de 1922. Sua produção historiográfica é composta por 2 livros, "Paulística" (1925) e "Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira" (1928). Paulo Prado também realizou um importante trabalho editorial, dirigiu de 1923 1925 a Revista do Brasil ao lado de Monteiro Lobato e em parceria com Capistrano de Abreu publicou a série "Eduardo Prado, para melhor se conhecer o Brasil".
17 PRADO, Paulo. Caminho do Mar. In. ___. Paulística, etc. São Paulo: Companhia das Letra, pp. 65-92, 2004.
18 Estudo publicado no "Jornal do Comercio" de 12, 29 de agosto e 10 de setembro de 1899 e reproduzido e ampliado na "América Brasileira", n. 32, 33, 34 de agosto, setembro e outubro de 1924. aBREU, Capistrano. Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil. In. ___. Caminhos Antigos e Povoamento do Brasil. 2 ed. Rio de Janeiro: Sociedade Capistrano de Abreu/ Briguiet & Cia, pp. 61-163, 1960.
19 ABREU, Capistrano. op.cit. p.62.
20 PRADO, Paulo. op.cit. p.73.
21 PRADO, Paulo. op.cit. p.71.
22 PRADO, Paulo. op. Cit. p. 76.




