A memória do lusobrasileirismo na historiografia brasileira: a “História da Colonização Portuguesa do Brasil”
Entre o último quartel do século XIX e as primeiras décadas do século XX, as relações luso-brasileiras foram caracterizadas por comemorações cujo significado e fortuna variou ao sabor das circunstâncias culturais e políticas. Nesta comunicação abordaremos a edição da História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921-1924) como elemento das comemorações ou ritualizações das relações luso-brasileiras. A obra em tela é fruto de um determinado contexto político-cultural, marcado pela ênfase no discurso sobre a nação e a nacionalidade, e está vinculada a um aspecto particular desse contexto que é a inserção da memória do lusobrasileirismo na historiografia brasileira.
A afirmação do Estado-nação a partir do século XIX trouxe consigo a concepção de comemoração nacional ou de festas nacionais onde a cronologia apreende simbolismos e representações vinculados às idéias de comunhão, pertencimento e nacionalidade. As comemorações são momentos de memória e história onde se entrecruzam e se conflitam percepções, sentimentos e interesses dos mais diversos.
As relações luso-brasileiras estão eivadas de comemorações, algumas restritas a algumas parcelas da comunidade, caso dos imigrantes desejosos de guardar os vínculos com o torrão natal, enquanto outras tornam-se, pelo enraizamento nas práticas sociais, culturais e políticas, momentos percebidos como essenciais para as relações interestatais. O Estado se apropria delas como marcas da sua existência e, portanto, tornam-se datas cívicas e são "eternizadas" nos "lugares de memória".
Entre o último quartel do século XIX e as primeiras décadas do século XX, as relações luso-brasileiras foram caracterizadas por comemorações cujo significado e fortuna variou ao sabor das transformações políticas e culturais no Brasil e Portugal. Nesse período, podemos arrolar o Terceiro Centenário de Camões (1880), o Quarto Centenário da Descoberta do Brasil (1900), o Centenário da Abertura dos Portos (1908) e o Centenário da Independência (1922). Estes eventos foram originados e também construíram marcos comemorativos de repercussão variável. Entre essas comemorações ou ritualizações das relações luso-brasileiras abordaremos a História da Colonização Portuguesa do Brasil como elemento comemorativo do Centenário da Independência.
A obra em tela opera numa dupla situação. De um lado é fruto de um determinado contexto político-cultural, marcado pela ênfase no discurso sobre a nação e a nacionalidade e, por outro lado, ela está vinculada em um aspecto particular desse contexto que é a inserção da memória do luso-brasileirismo na historiografia brasileira.1 São esses contextos que delimitam e auxiliam a compreensão da elaboração e leitura História da Colonização Portuguesa do Brasil.
Os três volumes da História da Colonização Portuguesa do Brasil 2 (doravante abreviada para HCP) foram publicados entre 1921 e 1926. A obra foi organizada por Carlos Malheiro Dias e patrocinada pelo industrial Albino Souza Cruz, ambos portugueses radicados na cidade do Rio de Janeiro. Trata-se de uma obra-monumento, um lugar funcional de memória3, onde se celebra o Brasil como construção de Portugal e, ao mesmo tempo, constrói-se uma imagem de valorização do imigrante português na qual o empreendimento colonial é reatualizado.4
é o elemento privado que se encarrega de propiciar os recursos para a pesquisa, escrita e edição da obra e, nesse sentido, ela se torna também um instrumento de munificência e poder das elites portuguesas radicadas no Rio de Janeiro. Esses círculos intelectuais e econômicos, comprometidos com o conservadorismo social, via de regra se apresentavam como o "verdadeiro Portugal" em contraposição à crônica situação de instabilidade política e econômica vivida pela república portuguesa nos anos dez e vinte.
A publicação da coleção exigiu a fundação de uma empresa - Sociedade Editora da História da Colonização Portuguesa do Brasil - e a divisão de tarefas com a formação de uma diretoria composta por Carlos Malheiro Dias (direção literária), Albino Souza Cruz (direção financeira), Roque Gameiro (direção artística) e o conselheiro Ernesto de Vasconcellos (direção cartográfica). A obra fora sugerida pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Pará à Grande Comissão Pró-Pátria, porém a sua execução só foi aventada após o fim da Primeira Guerra Mundial e com a proximidade do Centenário.5
O aspecto pragmático da publicação da HCP também é ressaltado por sua relação com a situação do colonialismo português na áfrica, no início da década de 20. Nesse momento as colônias portuguesas atraem a cobiça de outras potências coloniais e o governo português é acusado de conivência com os maus-tratos infligidos aos indígenas africanos. A situação colonial, especialmente a administração de Angola, exerce uma significativa influência no processo político português e contribui para a instabilidade econômica.6 Assim, salientar a colonização do Brasil, é mostrar o êxito de Portugal como metrópole civilizadora dos trópicos frente à barbárie. Uma nação com reduzida população e escassez de recursos econômicos manteve, e ainda poderia manter, um império colonial.
De fato, a edição da HCP mantém um duplo vínculo. De um lado, há a discussão da posição de Portugal e dos portugueses no Brasil no qual a HCP é parte de um projeto de valorização da presença lusa. De outro, a HCP está vinculada também à questão nacional em Portugal durante o período da Primeira República (1910-1926).
As diversas contribuições que compõem a HCP ecoam os conflitos políticos que dividiam a sociedade portuguesa no início do século XX. Malheiro Dias, por exemplo, exalta as Grandes Descobertas e intenta explicar o processo de declínio no século XVI cujo ponto culminante é a batalha de Alcácer-Quibir (1578) e o desaparecimento de Dom Sebastião, denominado o "desejado" e "capitão de Deus".7 A figura de Dom Sebastião, na enunciação de Malheiro Dias, é a imagem e representação da heroicidade do povo português no passado, mas aponta também para a regeneração do Portugal contemporâneo e para a viabilidade de construção de um futuro que resgata e abre possibilidades de consecução das expectativas messiânicas.
O saudosismo e o sebastianismo, a forma peculiar que o messianismo assume em Portugal, constituem características perenes da sociedade portuguesa durante aproximadamente três séculos e aflora com mais força nos momentos de crise nacional. é o caso do processo de acirramento das tensões sociais ocorrido durante a Primeira República portuguesa (1910-1926) explicitado na sucessão de golpes de estado até a derrubada do regime em 1926 com o movimento militar liderado pelo general Carmona.
A HCP teve uma tiragem de 25.000 exemplares in-folio distribuída em fascículos mensais, ao preço de 5$000, aos assinantes. Os recursos financeiros demandados pelo empreendimento, portanto, eram significativos e considerando o interesse de difundi-la ao público e a ausência dos recursos públicos, o seu custo teve de ser bancado pelo mecenato, sobretudo de Albino Sousa Cruz.
A HCP utiliza um vasto aparato erudito (documentos, iconografia, cartografia) de modo que o rigor documental (as fontes) valide a cientificidade e objetividade da obra. Essas características, próprias do historicismo oitocentista, tiveram como marcos em Portugal as obras de Alexandre Herculano e Oliveira Martins. Mas as características supracitadas não descartam o aspecto descritivo da narrativa utilizado para tratar as individualidades e contextualizá-las no ambiente em que vivem. Esse realismo acentua a distinção daquelas narrativas marcadas pelo estilo literário e pela retórica como aquelas escritas por Malheiro Dias e Julio Dantas.
A obra compõe-se de três volumes: Os precursores de Cabral (I), A epopéia dos litorais (II) e A Idade Média Brasileira. 1521-1580 (III). Neles estão reunidos estudos de importantes historiadores e literatos portugueses como Duarte Leite, Jaime Cortesão e Julio Dantas. Oliveira Lima é um solitário colaborador brasileiro com um texto sobre a capitania de Pernambuco ("A Nova Lusitânia"). Entre as ilustrações e documentos transcritos encontra-se a Carta de Pero Vaz de Caminha, editada por Carolina Michaelis de Vasconcelos, e a representação paleográfica da carta de Dom Manuel I aos Reis Católicos comunicando os feitos da viagem de Cabral.
Os colaboradores da HCP não limitavam as suas atividades ao campo da história. Vários dentre eles eram verdadeiros polígrafos, alguns, inclusive, com formação em ciências exatas. Além de Malheiro Dias, romancista, historiador, jornalista e político, cabe destacar Jaime Cortesão, Duarte Leite, Júlio Dantas. Cortesão era médico de formação, poeta e dramaturgo. Em 1921 era diretor da Biblioteca Nacional de Portugal. Duarte Leite era matemático, ciência muito útil para a compreensão da náutica e da cartografia, e diplomata. De 1915 até 1931, Leite ocupou o cargo de embaixador de Portugal no Brasil. Júlio Dantas notabilizou-se como dramaturgo, poeta e jornalista e foi presidente da Academia de Ciências de Lisboa. Um grupo expressivo era colaborador da Revista do Arquivo Histórico Português.8
Apesar da variedade de colaboradores, o caráter da obra é salientado pelos textos escritos por Malheiro Dias9 que além da organização da coleção, é responsável pela introdução dos volumes I e III e por quatro capítulos. Na introdução do primeiro volume10, Malheiro Dias trata de inserir a memória luso-brasileira na identidade nacional brasileira por meio da valorização da herança colonial portuguesa. Esse intento pode ser desdobrado em três vetores. Registrar de forma grandiosa o lugar de Portugal na formação da nação brasileira. Realçar a presença do imigrante português, cujo trabalho era equiparado aos antigos colonizadores e desbravadores do período colonial. Por último, reivindica para o moderno desbravador português - o imigrante - um espaço no Brasil do século XX.11
A colonização portuguesa é interpretada como missão civilizadora nos trópicos pela qual são submetidos os indígenas (os "bárbaros") e a natureza. A Independência, nessa visão, foi conduzida pelos colonos descendentes de portugueses - e não pelo "nativismo americano", proposição defendida pelos nacionalistas antilusitanos - o que garantiu a formação da nacionalidade brasileira e a própria continuidade da presença portuguesa. Ao expor os objetivos da HCP, Malheiro Dias ressaltou ser a obra um trabalho de ciência histórica, baseado estritamente na "análise dos fatos" mas também um monumento à fraternidade luso-brasileira, equivalente a outras iniciativas que na época eram executadas na América Hispânica.12 A percepção de obra erudita, patriótica e histórica aliada à fraternidade era constantemente veiculada por Dias: "o maior empreendimento na história das letras luso-brasileiras", "monumento de erudição histórica" e "tríplice monumento do patriotismo, da erudição e da arte".13 O ideal de fraternidade a unir os dois povos teria na HCP "o evangelho sobre o qual podemos jurar, brasileiros e portugueses, os sentimentos de leal fraternidade que nos unem e nenhumas injustiças e nenhuns ressentimentos poderão destruir."14
Malheiro Dias tece uma série de considerações a respeito dos vínculos entre a nacionalidade portuguesa, no seu entendimento a primeira se formar na Europa, e a formação da nacionalidade brasileira. A Independência foi conduzida pelos colonos descendentes de portugueses e não pelo "nativismo americano", vertente baseada na índole de "rebeldia e liberdade do índio".15
A construção do discurso da fraternidade luso-brasileira - e sua inserção na memória nacional - enfrentou críticas de um contra-discurso antilusitano. Em torno do projeto e posterior processo de publicação da HCP foi discutido e interpretado o passado colonial e seus efeitos na realidade social do país.
A observação de Malheiro Dias enquadrando a HCP debaixo do crivo da ciência, por certo, estava relacionada aos intelectuais antilusitanos, sempre a postos para negar a colonização portuguesa. é o caso de álvaro Bomílcar, fundador da Propaganda Nativista e tenaz opositor das concepções de história que fundamentavam a idéia de fraternidade luso-brasileira. Numa série de artigos publicados no semanário nacionalista Gil Blas, Bomílcar atacou a HCP e a interpretação lusófila da colonização. Ardoroso defensor da mestiçagem, Bomílcar criticou ferozmente a imagem de barbárie dos índios e africanos em contraponto à missão civilizadora da colonização portuguesa. Ao contrário dos colonizadores portugueses, dizia Bomílcar, os índios e africanos escravizados não tinham cronistas para se opor "às mentiras monumentais" do colonizador [os cronistas lusitanos], pois seus argumentos eram expressos em lendas, cantos e tradições orais, considerados irrelevantes pelos historiadores. A contribuição portuguesa, na visão de Bomílcar, é o atraso, "a idade do tamanco"16
A Independência sob a direção de Pedro I foi uma solução áulica para perpetuação do poder articulada por cortesãos da corte de D. João e da "classe comercial". A monarquia foi um lastimável erro político engendrado por José Clemente Pereira e José Bonifácio cujo objetivo era evitar o esfacelamento e dar estabilidade ao país.17 Essa solução áulica - monarquia sob a égide de um governante da rama colonizadora - impossibilitou a plena independência do Brasil e, pior dos mundos, o País tornou-se receptor de emigrantes portugueses concorrentes do nacional no mercado de trabalho e controladores da vida econômica. Nessa situação de subalternidade, o Brasil era essencial a sobrevivência de Portugal, uma nação falida e passadista.18
é interessante notar que esses ataques refletiram na escrita da HCP numa espécie de "diálogo" com os críticos antilusitanos. Na introdução ao volume III, Malheiro Dias replica aqueles que comparam, de forma negativa, a colonização portuguesa com a colonização inglesa dos Estados Unidos19 e que creditam aquela colonização a degredados e aventureiros. Tal interpretação é considerada injuriosa e contraposta a outra leitura que acentua o seu caráter heróico, uma "empresa de estadistas e de soldados."20 Um desdobramento dessa leitura é a idéia das três etnias - branca, negra e índia - formadoras da nação, mas sob a direção do português, o elemento que prepondera pois é portador da civilização.21
Na década de 20, portanto, a leitura da HCP era efetuada segundo percepções diferenciadas a respeito da nação e da nacionalidade existentes no meio social. Os intelectuais de pensamento lusófobo ou lusófilo lutavam pelas representações do passado colonial entendido como origem da nação e projetavam essas representações, provenientes da memória coletiva, na elaboração de um discurso sobre a história da nação e sua aplicação em estratégias políticas.
O processo político-cultural transforma a leitura e recepção das obras literárias e históricas. No caso da HCP, ela é citada como obra monumental, louvada pela coleta e reprodução de mapas, documentos e gravuras que lhe conferem um lugar na historiografia nacional, especificamente na historiografia luso-brasileira. Porém, os objetivos dos editores da HCP e das narrativas nela inseridas para exaltar "Portugal no Brasil" são pouco examinados.
Em seu estudo sobre a imagem recíproca de Brasil e Portugal, Nelson Vieira destaca o objetivo de prestígio que obra se propunha de exaltar a "união luso-brasileira" ou seja, a perenidade das relações entre os dois povos e a nobreza da origem do Brasil.22 A relação colonizador/colonizado, destacada na visão antilusitana, era substituída por uma memória histórica que privilegiava a união e fraternidade e, esta memória histórica, era consubstanciada na HCP.
Contudo, como todo texto, a HCP propicia uma pluralidade de leituras e usos diferenciados daqueles intencionados pelos seus autores. Assim, uma apropriação mais contemporânea da HCP ressalta a sua importância como fonte para o estudo do Brasil no século XVI. é o caso da coleção Terra Brasilis, escrita por Eduardo Bueno, cuja elaboração valeu-se da compilação de manuscritos, mapas e de vários artigos da HCP para fundamentar sua exposição da chegada dos portugueses ao Brasil e o início da colonização. 23
Notas
1 "Esta obra monumental, sustentada pelas assinaturas de dezenas de milhares portugueses de todo o Brasil, com caráter de uma homenagem coletiva, reunirá na sua confecção os grandes vultos das ciências, das letras e das artes, atestará a obra dos antepassados dos brasileiros, patenteando as origens gloriosas da grande nação, e reivindicando a proeminente hierarquia que lhe compete na história entre as nacionalidades americanas. Este monumento literário significará o preito de todos os portugueses à Nação Brasileira, eloqüentemente interpretado pelos mais eminentes representantes da cultura e do talento das duas Nações". Folheto de divulgação/promoção da História da Colonização Portuguesa do Brasil, s.d. Pac. Malheiro Dias. Rio de Janeiro: Real Gabinete Português de Leitura.
2 História da Colonização Portuguesa do Brasil, 3 v. Porto: Sociedade Editora da Historia da Colonização Portuguesa do Brasil 1921-1924. A impressão do volume III foi finalizada em maio de 1926. Fernando Catroga observa que a comemoração do Centenário da Independência do Brasil caracterizou-se pela reduzida expressão historiográfica. Essa timidez era habitual nas comemorações do Estado português. A edição da História da Colonização Portuguesa do Brasil, nesse sentido, é uma exceção muito embora seja um empreendimento privado. Cf. Fernando Catroga. "Ritualizações da história". In: Luis Reis Torgal, José Maria Amado Mendes e Fernando Catroga. História da História em Portugal. Séculos XIX e XX. v. II. Lisboa: Sociedade Industrial Gráfica, 1998, p. 221-361. Outros eventos relacionados à participação portuguesa no Centenário foram o raid aéreo de Sacadura Cabral e Gago Coutinho e a visita do presidente de Portugal, António José de Almeida, ao Brasil.
3 Pierre Nora. Entre Mémoire et Histoire. la problemátique des lieux. Les Lieux de mémoire. v. I - la Republique. Paris: éditions Gallimard, 1984, p. XXXIV-XXXV.
4 Ver Jorge Luís dos Santos Alves. "Uma Imagem da Imigração Portuguesa filantropia, honestidade e trabalho". Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de Pesquisa Histórica (SBPH). Anais da XVIII Reunião, 1998, p. 315-319.
5 Cf. Jaime Cortesão. "História de uma história". In: Souza Cruz. Juízos sobre a sua vida e a sua obra. Homenagens que lhe foram prestadas em 1 de Setembro de 1944 no Brasil e em Portugal. Lisboa/Rio de Janeiro: Edições Dois Mundos, 1945, p. 55-73.
6 Cf. Douglas Wheeler. História Política de Portugal de 1910 a 1926. Lisboa: Publicações Europa-América, 1978, p. 242-244.
7 Carlos Malheiro Dias. A metrópole e suas conquistas nos reinados de D. João III, D. Sebastião e Cardeal D. Henrique. História da Colonização Portuguesa do Brasil, v. III, p. 43.
8 Cf. Francisco Falcon. "Historiografia Portuguesa Contemporânea. Um ensaio histórico-interpretativo". Estudos Históricos (1). Rio de Janeiro, 1988, p. 82-86 e Joana Morais Varela (org.). Pequeno Roteiro da História da Literatura Portuguesa. Lisboa: Instituto Português do Livro, 1982.
9 Como ficcionista Malheiro Dias escreveu romances de cunho realista: "A Mulata" (1896) e "Filho das Ervas" (1900). Monarquista e deputado pelo Partido Regenerador, Malheiro Dias exilou-se no Brasil em 1913 e retornou a Portugal em 1935.
10 Carlos Malheiro Dias. Introdução. História da Colonização Portuguesa do Brasil, v. I, p. I - CXXXI.
11 Na "Advertência" publicada no primeiro volume, Albino Souza Cruz expressou estes objetivos ao reafirmar a importância da religião, da língua e da fraternidade, como elementos característicos das relações luso-brasileiras.
12 Carlos Malheiro Dias. História da Colonização Portuguesa do Brasil. Conferência realizada pelo eminente escritor Carlos Malheiro Dias no Gabinete Português de Leitura. Rio de Janeiro: Cia. Litográfica, Ferreira Pinto, 1921, p. 15-16 apud Maria Beatriz Nizza da Silva. Documentos para a História da Imigração Portuguesa no Brasil. 1850-1938. Rio de Janeiro: Editorial Nórdica/Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras, 1992, p. 127-129.
13 Carlos Malheiro Dias, op. cit. p. 128-129.
14 Id. Ibid., p. 129.
15 Carlos Malheiro Dias. Introdução, op. cit., v. I, p. V e VI.
16 "Sobre a história da colonização portuguesa no Brasil". Gil Blas (120), 26.5.1921.
17 "Sobre a História da Colonização portuguesa no Brasil". Gil Blas (113) 7.4.1921.
18 "Intimamente convencidos da falência absoluta e do inevitável desaparecimento da sua pátria, voltam-se os metropolitanos PéS DE CHUMBO [no original] para esta pátria nova e rica (...) ‘A nação BRAZILEIRA [no original] e a obra obra-prima de Portugal’. Estúpidos! (...) Portugal nada faz para o Brasil senão mandar para aqui ladrões, degredados e prostitutas expulsas de Lisboa." "União Luso-brasileira". Gil Blas (198) 16.3.1923. As críticas de Bomílcar foram publicadas em vários números do semanário Gil Blas ao longo de 1921. Elas se fundamentam no livro de Manoel Bomfim. A América Latina: Males de Origem (1905).
19 Carlos Malheiro Dias. Introdução, op. cit.,v. III, p. VIII-XII.
20 Id. ibid. p. LXII.
21 "O Brasil é a conseqüência dos esforços de um só povo branco: o português, auxiliado pelo mameluco, sua criação étnica e pelo escravo negro." Id. ibid. p. XII.
22 Nelson H. Vieira. Brasil e Portugal. A imagem recíproca (O mito e a Realidade na Expressão literária). Lisboa: Ministério da Educação/Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, 1991, p. 150-152.
23 Eduardo Bueno. A Viagem do Descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. Náufragos, traficantes e degredados: as primeiras expedições ao Brasil, 1500-1531. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.




