Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro: práticas e iniciativas na consolidação do conhecimento geográfico
A presente comunicação pretende analisar o papel desempenhado pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (SGRJ) no processo de institucionalização do conhecimento geográfico no Brasil e a sua relação com as esferas de poder, através das suas atividades e de suas iniciativas desenvolvidas nas primeiras décadas do século XX.
Em 25 de fevereiro de 1883, fundou-se na capital do Império a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro (SGRJ), por iniciativa do Senador Manuel Francisco Correia, ilustre homem de Estado e educador1. O novo reduto acadêmico inspirava-se no modelo da Sociedade de Geografia de Paris, criada em 1821, tal como várias associações congêneres que se estabeleceram no continente americano, ao longo do século XIX, a exemplo da Sociedad Mexicana de Geografia y Estadistica (1833), da American Geographical Society de Nova York (1852), e da Société de Géographie de Québec (1877). Essas entidades guardavam certas características comuns: pretendiam divulgar o conhecimento científico, por meio do intercâmbio de publicações, da participação em congressos, e da troca de correspondências com órgãos similares estrangeiros, sobretudo aqueles localizados na Europa. Seus objetivos se direcionavam para a organização dos espaços nacionais, donde se pode inferir que as sociedades geográficas constituíam instrumentos específicos a serviço do Estado, uma vez que as informações levantadas e os trabalhos de campo realizados auxiliavam no reconhecimento do território.2
A Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro foi criada num período de grande efervescência cultural e política, na esteira do que Silvio Romero denominou de "um bando de idéias novas"; de onde emergiram movimentos intelectuais que tentavam compreender a realidade brasileira. Positivistas, evolucionistas, darwinistas, pelos mais diferentes caminhos, buscaram de modo científico solucionar o problema do "atraso atávico" do país.
A Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro trazia as marcas também da ilustração portuguesa, seja através da Seção Filial da Sociedade de Geografia de Lisboa no Brasil que funcionou no Rio de Janeiro e que fora instituída no dia 18 de julho de 1878 liderada pelo Visconde de São Januário. Vale ressaltar, que essa seção filial desenvolveu atividades acadêmicas por cerca de oito anos, reunindo-se no Real Gabinete Português de Leitura, além disso, editou também um periódico entre 1881 e 1886, congregando brasileiros e portugueses ilustres, a exemplo de Candido Mendes de Almeida, Manoel Francisco Corrêa, Barão Homem de Mello e Joaquim Ramalho Ortigão, entre outras personalidades. Todavia, ao que tudo indica, em 1881 a seção filial manifestou o interesse de se fundar uma associação independente, intitulada Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro enviando um comunicado oficial a congênere portuguesa.3
De um modo geral, a elite imperial incorporou modelos do exterior e ao mesmo tempo procurou adaptá-los e desenvolvê-los em consonância com a realidade nacional. O processo de institucionalização da ciência no Brasil trazia as marcas da Ilustração Portuguesa, com a valorização das ciências para solucionar os problemas de Estado. No caso da geografia, isto pode ser observado por meio da trajetória da Sociedade do Rio de Janeiro. Seus associados, vultos de primeira grandeza no panorama político e intelectual do Império canalizaram os esforços do grêmio para contribuir para a resolução dos problemas do Estado, a começar pelo desconhecimento do território nacional. Esse propósito, conforme demonstramos no nosso trabalho, continuaria a orientar as atividades do grêmio, mesmo após o advento da República. Políticos, profissionais liberais, empresários, jornalistas, intelectuais e funcionários do aparelho de Estado, os integrantes da Sociedade pertenciam a os integrantes da Sociedade pertenciam a determinados círculos de sociabilidade, que sem dúvida pesaram na sua adesão ao grêmio.
Com o advento no novo regime, alterava-se a forma de governo, mas os problemas persistiram: o desconhecimento de grandes extensões do território nacional, a necessidade de abertura de vias de comunicação e do aproveitamento do potencial hídrico, enfim, o levantamento dos recursos naturais que impulsionassem a jovem nação republicana "ao progresso e à civilização". As autoridades republicanas logo perceberam que os associados evidenciavam familiaridade com as idéias defendidas pelos principais expoentes europeus no campo da geografia oitocentista, tais como Humboldt, Ritter, Ratzel e élisée Réclus, podendo, portanto, ser de grande utilidade ao regime recém-instituído.
A Sociedade contribuiu para a divulgação do conhecimento com a publicação de seu periódico intitulado Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, bem como de obras de referência do porte do "Dicionário Geográfico do Brasil" em 1884, de Alfredo Moreira Pinto. Patrocinou e organizou eventos, a exemplo da Exposição Geográfica Sul-Americana de 1889, da Terceira Reunião do Congresso Científico Latino-Americano de 1905 e do Primeiro Congresso Brasileiro de Geografia de 1909. Cultivou o debate sobre as questões de limites do Brasil4. Promoveu, ainda, trabalhos de campo e explorações de territórios até então desconhecidos, contribuindo com novas informações que ajudaram a traçar um panorama mais preciso da realidade brasileira. A par disso, as sessões da Sociedade serviram de palco para a apresentação de ilustres vultos da ciência, brasileiros e estrangeiros.
De outra maneira, não é demais destacar que a partir de 1914, verificamos uma forte incidência de militares nos quadros sociais da entidade no período das presidências do Marechal Gregório Thaumaturgo de Azevedo, Almirante Antônio Coutinho Gomes de Pereira e General José Maria Moreira Guimarães. Não é demais salientar, o papel desempenhado pelos militares na exploração do território brasileiro desde os tempos coloniais. A Sociedade acompanhou com interesse, dentre outras iniciativas, as atividades do General Candido Mariano da Silva Rondon, mais tarde seu presidente honorário. Não é demais lembrar as grandes missões realizadas pelo General Rondon, iniciadas em 1890, que concentravam-se na região de Mato-Grosso.
Seja como for, em 1909 realizava-se o Primeiro Congresso Brasileiro de Geografia promovido pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, vale destacar, que dentre as resoluções e moções apresentadas, previa-se a realização periódica de um evento acadêmico de grande porte, sempre na data do aniversário da Independência do Brasil. A par disso, destacavam-se as propostas para a revisão da nomenclatura dos acidentes geográficos, a reforma do ensino e a da elaboração dos mapas cartográficos, de acordo com os modelos estabelecidos pelo Congresso Geográfico Internacional de Genebra de 1908. Reafirmavam-se, por conseguinte, o caráter utilitário e pragmático dos estudos geográficos, a idéia da ciência para o progresso e para integração nacional. Ao contrário do que poderia se imaginar, após o sucesso do Primeiro Congresso de Geografia do Rio de Janeiro, a instituição passou por uma série de dificuldades até 1917, quando um decreto assinado pelo então presidente da República, Wenceslau Braz, passou a reconhecê-la como de utilidade pública da instituição. Na mesma época, inclusive, um projeto de lei aprovado a Câmara dos Deputados assegurava algumas regalias, tais como a franquia postal e telegráfica, a publicação gratuita de sua Revista na Imprensa Nacional e a garantia de uma sede própria. Entre os anos de 1910 e 1944, a SGRJ retomava-se a promoção dos nove congressos brasileiros de geografia. O segundo congresso foi realizado na cidade de São Paulo, o terceiro na cidade de Curitiba (1911), o quarto congresso na cidade de Recife (1914), o quinto congresso na cidade de Salvador (1916); o sexto congresso na cidade de Belo Horizonte (1919), o sétimo congresso na cidade de Paraíba (1922), o oitavo congresso na cidade de Vitória (1926). Os dois últimos congressos realizados respectivamente em 1940 e 1944 em Florianópolis e no Rio de Janeiro contaram com o apoio direto do Governo Federal seja através dos seus órgãos oficiais, tais como o Conselho Nacional de Geografia e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Todavia, a instituição não deixou de se esforçar para dar à geografia no Brasil padrões científicos, seguindo as recomendações formadas no encontro de Genebra de 1908. Este esforço implicava não só na consecução de atividades de gabinete, mas também no desenvolvimento dos estudos de campo e na apresentação de propostas para a reforma do ensino da disciplina. Neste sentido, além de sugerir a atualização dos métodos de ensino e a realização de trabalhos mais acurados, como a Carta Geral do Brasil, salientava-se a necessidade de criação de uma cadeira de Geografia Física nos cursos universitários. Em que pese o caráter científico dessas proposições há de se destacar o seu lado eminentemente pragmático, comprometido em contribuir para o melhor conhecimento do território nacional, sua ocupação e a exploração de suas riquezas5.
Uma outra iniciativa foi a criação entre os anos de 1926 e 1927 do Curso Superior Livre de Geografia6 destinado à atualização dos professores de ensino primário. A comissão pedagógica constituía-se de três vultos mais tarde considerados como os grandes renovadores do ensino da geografia, Everardo Backheuser, professor da Escola Politécnica, Fernando Raja Gabaglia e Delgado de Carvalho, ambos professores do Colégio Pedro II. A proposta consistia em conferir no final de dois semestres o diploma de "Laureado em Geografia e Ciências Correlatas". Na verdade, essa iniciativa pode ser considerada como verdadeiro laboratório para o movimento renovador que viria surgir na década seguinte.7 Para se ter uma idéia, transcrevemos o elenco de disciplinas propostas e os respectivos professores: Fisiografia, ministrado por Delgado de Carvalho; Cosmografia pelo professor Honório Silvestre; Antropogeografia, pelo professor Everardo Backheuser; Estatística, pelo professor Caetano de Oliveira; Climatologia pelo professor Jorge Amado; Etnografia pela professora Heloísa Alberto Torres; Ecologia pelo professor Abel Pinto; Oceanografia pelo professor Roberto Seidl; Modelagem Geografia pelo professor Delgado de Carvalho e o curso de excursões pelo Distrito Federal organizado pelo professor Everardo Backheuser.
Apesar da experiência pioneira, o projeto não obteve reconhecimento oficial, daí o nome de "Curso Superior Livre". A este respeito, o Conde Afonso Celso, sócio da SGRJ, então membro da Academia Brasileira de Letras e presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, escreveu um artigo para o Jornal do Brasil intitulado "A nova concepção de geografia", no qual alertava para a importância do curso na formação dos futuros dirigentes do país8. Afonso Celso reportou-se à existência dos cursos de sociologia e de economia política nas escolas de ensino de superior do país, lamentando a ausência de um curso superior de geografia, o que ao seu ver era injustificável. Defendeu também uma proposta de institucionalização da disciplina. Ao que tudo indica, na regulamentação do Curso já se evidenciava um projeto de legitimação da geografia como um campo disciplinar, com metodologia, matrizes conceituais e teóricas próprias.9
A partir dos anos 30 emergiram significativas transformações na vida política, econômica e cultural da nação. O embrião deste projeto vinha sendo gestado desde 1920. O ambiente intelectual da década marcado pela comemoração do Centenário da Independência do Brasil e a realização da Semana de Arte Moderna em 1922 já apontavam para tais mudanças. Além disso, os efeitos pós- primeira guerra mundial, com o declínio do mito do cientificismo, indicavam que o ideal cosmopolita vinha cedendo lugar ao nacionalismo. A busca pelas raízes brasileiras constituiria, assim, uma das principais preocupações dos intelectuais da época (...) seja através dos ideais da ciência ou da racionalidade (geração de 1870) da arte ou da intuição (geração de 1920), imbuídos de vocação messiânica, senso de missão ou dever social, os intelectuais se auto elegeram sucessivamente consciência iluminada do nacional.10
A Sociedade também concorreu para esse movimento participando das comemorações em torno do centenário da independência. Na ocasião em que se revia a história nacional e se buscava construir novos projetos para o futuro da nação, o grêmio preparou a obra Geografia do Brasil, comemorativa do Centenário da Independência. A iniciativa partira de Lindolpho Xavier, em 1918, primeiro secretário e redator da Revista. Para a consecução da tarefa foi criada uma comissão da qual faziam parte: o marechal Thaumaturgo de Azevedo, Francisco Jaguaribe Mattos, Antônio dos Santos Pires, Everardo Backheuser e Francisco Bhering. Considerada como uma iniciativa pioneira, a contribuição visava preencher uma lacuna nos estudos geográficos sobre o Brasil. Inicialmente, planejada para alcançar dez volumes, teve publicados apenas os de números 1, 2, 9 e 10, divididos em dois tomos. O primeiro intitulava-se O solo e o homem e o segundo A nação.
Durante o primeiro período da era Vargas, o Brasil se transformou em um país urbano-industrial. A crescente centralização do poder, ao lado da dimensão nacionalista imprimida por Vargas ao Governo, iria redundar na criação de inúmeros órgãos públicos direcionados para as novas características deste Estado promotor, organizador e mecenas do mundo econômico e cultural. Entre 1930 e 1945, foram estabelecidos diversas comissões, conselhos, departamentos, institutos, companhias e fundações. Além disso, implementou-se uma política de ocupação do espaço nacional por meio da redivisão territorial11. Diga-se de passagem, o problema do desequilíbrio na divisão do território brasileiro não era recente. No Estado Novo tornou-se uma questão de prioridade nacional. As experiências de fragmentação desde os tempos coloniais e a desproporcionalidade das áreas existentes entre os estados, assim como as divergências políticas sobre os limites inter-estaduais ressaltavam a fragilidade da integridade nacional.12 Esses temas já vinham sendo objeto de discussão na Sociedade, antes mesmo da nova divisão instituída pela carta de 193713. O mesmo se pode dizer da preocupação manifestada pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro em 1928, a respeito das expedições realizadas por estrangeiros ao interior do país, sem a devida vigilância do governo, demanda que só seria atendida em 1933, com o decreto no. 22.698, que instituiu tal fiscalização sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura14.
Mas, a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro também se projetou para fora do país, participando, em 1931, do Congresso Internacional de Geografia em Paris, quando se firmou o primeiro contato entre a geografia brasileira e a União Geográfica Internacional (UGI)15. Como representante brasileiro foi enviado pela Sociedade e pela Academia Brasileira de Ciências, o naturalista Alberto José de Sampaio que atraiu a atenção do geógrafo francês Emmanuel De Martonne.
Vale destacar que De Martonne era diretor do Instituto de Geografia da Universidade de Paris e Presidente do Congresso Internacional, além de presidente da União Geográfica e, em 1933 visitou o Brasil, sendo recebido em sessão solene conjunta da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Ciências. Nessa ocasião recebeu o título de membro honorário da Sociedade. O ilustre geógrafo discursou sobre a moderna concepção da geografia e a influência francesa nesse movimento, salientando a necessidade de criação de um comitê nacional de geografia e a adesão brasileira à União Geográfica Internacional.
A par disso, a estada de De Martonne no Brasil ofereceu a oportunidade para a contratação de professores franceses recém-doutorados ou em fase final de doutoramento, tais como Pierre Deffontaines16, Pierre Monbeig e Francis Ruellan17, a fim de se organizar os cursos superiores de geografia em São Paulo (1934)18 e no Rio de Janeiro (1935).
Nesse processo, todavia, não podemos ignorar a influência da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, por intermédio da atuação de três dos seus membros mais destacados: Carlos Delgado de Carvalho, Everardo Backheuser e Fernando Antônio Raja Gabaglia. Os dois primeiros participaram da primeira iniciativa de criação do já citado "Curso Superior de Geografia". Contribuíram, ainda, para o estabelecimento de diversas instituições, tais como o Conselho Nacional de Geografia (1933), a Associação dos Geógrafos Brasileiros (1934), a Universidade do Distrito Federal (1935) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1938). Constituíram o que se pode denominar a célula inicial de uma comunidade de geógrafos. Defendiam um projeto comum: implantar e difundir a geografia moderna no país, a partir do efetivo conhecimento do território brasileiro.19
Em 1945, a Sociedade passou por uma ampla reformulação de seus estatutos durante a gestão do embaixador José Carlos de Macedo Soares. O objeto central da reforma era romper com a rotina das sucessivas reeleições dos membros da diretoria. Previa-se, também, a descentralização do grêmio com o estabelecimento de filiais nos Estados brasileiros e a mudança do nome de Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro para Sociedade Brasileira de Geografia. Infelizmente, com a mudança de governo, muitas das reivindicações da instituição não foram atendidas pelos novos donos do poder. Todavia, não é demais destacar as experiências desenvolvidas por Macedo Soares na presidência do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além de sua estreita relação com as esferas do poder20.
Como se pode perceber, é inquestionável o papel desempenhado pela SGRJ, afinal muitas vezes suas iniciativas e atividades ainda que aparentemente assistemáticas estavam atreladas a um programa de Governo. Por outro lado, a instituição também estava empenhada no desenvolvimento da disciplina como um campo científico autônomo, ainda que seus associados não formassem uma comunidade de geógrafos como usualmente é percebida. A presente comunicação pretende contribuir para a divulgação do conhecimento geográfico até então produzido no Brasil através da análise da trajetória institucional da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro.21
Notas
1 Cf. HERMES, João Severiano Fonseca. "Como foi fundada a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro". Rio de Janeiro: IBGE, Revista Brasileira de Geografia, 1946.
2 LÓPEZ-ÒCON, Leoncio. "Les Sociétés de Géographie: un instrument de diffusion scientifique en Amérique Latine au debút du XXa. Siécle". In: Les Sciences Hors d’Occident au XXa. Siécle. Paris: Unesco, 1994. p. 79- 85.
3 Sobre esse assunto conferir o trabalho da professora doutora Cristina Pessanha Mary, intitulado "A geografia no Brasil nos últimos anos do Império". Rio de Janeiro: Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência, volume 3, número 2, jun.-dez., 2005. Pág. 156-170.
4 Sobre este assunto, ver: Luciene P. Carris Cardoso. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro: Identidade e Espaço Nacional (1883-1909). Dissertação (Mestrado), Programa de Pós Graduação em História Política, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2003.
5 Idem.
6 Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, 1926-27. P.239
7 PEREIRA, Sergio Luiz Nunes. Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro: Origens, obsessões e conflitos (1883-1944). Tese (Doutorado), FFLCH, USP, 2003. P.169.
8 CELSO, Afonso. "A nova concepção de geografia" In: Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, Tomo XXXI,1926. p. 90-93.
9 No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro entre os anos 1916 e 1921 também ocorreu iniciativa semelhante, o estabelecimento da "Academia de Altos Estudos", a Faculdade de Letras e Filosofia do IHGB inspirada nas experiências inglesa e francesa. Dentre as diversas personalidades que participaram deste projeto pedagógico e que pertenciam a Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, destacam-se Carlos Delgado de Carvalho, Basílio de Magalhães e José Maria Moreira Guimarães. Cf. Lúcia M. Pachoal Guimarães, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro: da escola palatina ao silogeu (1889-1938). Tese apresentada ao concurso público de professor de titular do departamento de História na área de Historiografia. Rio de Janeiro: UERJ, 1999.
10 VELLOSO, Mônica Pimenta. "Os intelectuais e a política cultural do Estado Novo" In: O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado. Jorge Ferreira e Lucilia de A. Neves Delgado (orgs.) Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003 vol. 3 (O Brasil Republicano, v.3) p. 148
11 Sobre este assunto, ver: Eli Alves Penha, "A implementação de políticas territoriais como fator de coesão nacional" In: A criação do IBGE no contexto de centralização política do Estado do Novo. Rio de Janeiro: IBGE, Documentos para disseminação, 1993.
12 A partir da década de 30, iniciou-se a chamada a Marcha para o Oeste com a ocupação do interior do país, a princípio a partir das cidades localizadas no Mato Grosso e Goiânia. Neste sentido, em 1933, mais uma vez a Sociedade colocou-se a serviço do Estado, integrando uma "Grande comissão nacional", cuja tarefa foi definida como de servir bem, sem o menor laivo e preocupação subalterna ou regionalista, os supremos interesses do Brasil. TEIXEIRA de FREITAS, Mário Augusto. Conferência realizada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 28/10/1932. Rio de Janeiro: Revista do IHGB, v. 166, 1935. p. 766
13 Em 1933, o Gen. Liberato Bittencourt dissertou sobre os novos rumos do saber geográfico, demonstrando quais os melhores caminhos para a nova divisão territorial brasileira. Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, "Sobre o estudo racional da geografia", T. XXXVII, 1933, p. 71-75.
14 Em 07 de novembro 1928, a Sociedade apresentou uma moção assinada por catorze associados, dentre os quais vale destacar, o General Moreira Guimarães, presidente da SGRJ, João Barbosa Rodrigues Jr. e Carlos Raja Gabaglia. Essa proposta criticava a ausência de fiscalização das expedições de estrangeiros e nacionais no interior do Brasil, que no seu entender apenas exploravam as riquezas nacionais, a [Sociedade] formularia os melhores votos nos sentido de, sem a devida, permissão do Governo Federal a quem cabe não só a defesa do territorial nacional, mas ainda a proteção dos índios do Brasil, não tomarem rumo tamanhas explorações, nem aqueles curiosos, nem estes sábios, alguns dos quais se inspiram menos no amor a ciência do que na revolta contra os filhos de nossas florestas e lá com efeito os combatem a ferro e fogo. "As expedições ao interior do Brasil" In: Comunicações geográficas. Revista da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, T. XXXIII, 1928, p. 235-268.
15 Em 1922, foi criada a União Geográfica Internacional na Bélgica que tinha entre outros objetivos desenvolver os estudos geográficos através de uma rede de cooperação internacional, favorecendo a discussão, o intercâmbio e a publicação de trabalhos e de documentos entre os países membros, bem como a realização de congressos internacionais.
16 Pierre Deffontaines foi membro de duas missões universitárias francesas enviadas ao Brasil na década de 30. A partir dessas missões foram implementados os cursos de história e geografia na Universidade de São Paulo e na Universidade do Distrito Federal. Também participou da criação da Associação dos Geógrafos Brasileiros, do Conselho Nacional de Geografia e da Revista Brasileira de Geografia.Cf. Marieta de Moraes Ferreira, "Diário pessoal, autobiografia e fontes orais: a trajetória de Pierre Deffontaines" In: International oral history conference. Oral history challenges for de 21 st. century. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV/Casa de Oswaldo Cruz, 1998, v.1, p. 379-386.
17 Os franceses Pierre Monbeig e Francis Ruellan também vieram com a missão francesa ao Brasil, entre vários outros intelectuais. Juntamente com Pierre Deffontaines, não apenas organizaram os cursos superiores, mas também foram os orientadores metodológicos da primeira geração de geógrafos formados no Brasil. Cf. Roberto Schmidt de Almeida, A Geografia e os geógrafos do IBGE, (1938-1998). Tese (Doutorado), Programa de Pós Graduação em Geografia, UFRJ, 2000.
18 Sobre o estabelecimento da Universidade de São Paulo e as relações entre Brasil e França, ver: Patrick Petijean, "As missões universitárias francesas na criação da Universidade de São Paulo (1934-1940)" In: A ciência nas relações entre Brasil-França (1850-1950). Amélia I. Hamburger (et al.). São Paulo: EDUSP, FAPESP, 1996. P.259-330
19 Idem, p.16
20 José Carlos Macedo Soares destacou-se como advogado, industrial, professor, político, diplomata e ensaísta. Como político, foi eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte em 1933. No ano posterior foi nomeado ministro das Relações Exteriores no governo constitucional do presidente Getúlio Vargas, deixando a pasta em 2 de janeiro de 1937. Em julho de 37, foi nomeado ministro da Justiça, ocupando o cargo até 9 de novembro de 1937. Também foi responsável pela instalação do IBGE e foi o primeiro presidente. Lecionou nos cursos superiores das Universidades do Brasil e do Rio de Janeiro.
21 Neste sentido, destacam-se os estudos de: Sérgio Luiz Nunes Pereira, Vânia Rúbia Farias Vlach e Perla Brígida Zuzman.




