Charges, personagens e fatos da campanha eleitoral de 1992, município de Chapecó (SC)
Nossa intenção, nesta intervenção, é fazer algumas observações sobre aspectos político partidários. Constituiu-se num tema empolgante, mesmo que envolto de aspectos legais, passando por acordos, contradições, promessas e conflitos, mas é objeto de análises e da produção de estudos sob diversas óticas. Nessa perspectiva o presente trabalho tem como objetivo reconstruir aspectos que envolveram o contexto da Campanha Eleitoral no município de Chapecó, realizada em 03 de outubro de 1992.
Primeiramente, nosso recorte privilegia o contido no Jornal “O Iguaçu” quando esse órgão de imprensa em 1992 passou a utilizar a charge, para o registro, e evidenciar momentos e personagens daquele embate eleitoral.
A segunda observação nos remete ao que motivou a definição e delimitação do tema proposto - momentos vivenciados pelos candidatos e mesmo eleitores partícipes da eleição em 1992. Momentos esses que foram captados por chargista que soube os alinhavar e transferir para seus desenhos – a charge. O universo de pesquisa selecionado permitiu a compilação dados e informações da divulgação da eleição daquele ano.
Segundo Aurélio: Charge “é uma representação pictórica, de caráter burlesco e caricatural, em que se satiriza um fato específico, em geral de caráter político e que é do conhecimento público", ou ainda é "Caricatura: desenho que, pelo traço, pela escolha dos detalhes, acentua ou revela certos aspectos caricatos de pessoa ou fato".
Para Cagnin, (1975) charge é: “desenho que se referem os fatos acontecidos em que agem pessoas reais, em geral conhecidas, com o propósito de denunciar, criticar e satirizar”.
Da contribuição de Miani (2001), extrai-se que a charge utiliza-se da caricatura, termo derivado do italiano "caricare", isto é, carregar, sobrecarregar com exagero, satirizando tipos humanos, envolvendo a percepção de um novo momento histórico ligado à modernidade, e, sobretudo, a uma transformação das técnicas de reprodução. Ainda, pode-se dizer que a charge objetiva a busca de um diálogo entre as áreas de comunicação e de Letras, já que desenvolve aspectos referentes às linguagens verbal e não-verbal, a partir de uma perspectiva intertextual de comunicação.
Outra observação, que pode se inferir, é a de que uma das atividades afinadas com a História e que tem sido usado ao longo do tempo como um recurso valioso na expressão do conhecimento histórico é a Charge. Isso, pois em ultima análise é a charge uma expressão cultural de um povo, de um lugar e de uma época – logo histórica - que, pode relevar muito sobre os padrões culturais de um povo, de uma sociedade, conforme nos coloca Dantas (2007).
Já o Chargista ao produzir seu desenho lança mão de uma concepção de ordenação, uma narrativa, já que existe o fato – o episódio – os personagens e as circunstancias de tempo de espaço.
Nessa linha, ainda observamos que para o desenvolvimento e estruturação o trabalho alem dos autores citados Miani e Cargnin, complementamos nossa pesquisa com edições do Jornal “O Iguaçu”, datadas entre 15 de setembro a 12 a outubro de 1992. Do levantamento efetuado tem-se uma série composta de dezesseis charges produzidas por Nedson Lanzini.2 Assim, tem-se uma série delas intitulado “Faltam ... dias” – alusão à reta final da campanha que culminaria no dia 3 de outubro. Para efeito do presente charge ou Cartum passam a ter o mesmo significado.
Lanzini, ao produzir suas charges insere-se no que nos diz Cagnin, pois em seus desenhos estão presentes o fato, o tempo, o espaço e pessoas reais. Suas charges se constituem em desenhos satíricos que mostram personalidades da política local envoltos em fatos e situações corriqueiras em tons irônicos. Assim, a charge passa a ser um valioso material para reforçar ou ampliar a análise histórica de um fato.
Especificamente os personagens selecionados por Lanzini foram os quatro candidatos a Prefeito Chapecó, que foram cabeças de chapas das seguintes coligações:
1. União Por Chapecó, formada pelo Partido da Frente Liberal (PFL), pelo Partido Democrático Social (PDS hoje PPR) e, pelo Partido Democrático Cristão (PDC). A coligação estendeu-se também para a composição da Câmara de Vereadores. Os candidatos da chapa majoritária: para Prefeito - Dilso Cechin, Administrador de Empresas e Advogado, para Vice-Prefeito Aldi Berdian, empresário.
2. Frente Democrática Trabalhista, composta a partir da coligação entre o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e Partido Democrático Trabalhista (PDT), valendo apenas para a eleição majoritária.
Formada a união entre as duas agremiações, inicialmente lançaram os advogados Luiz Antonio Palaoro e Alfredo Lang, para prefeito e vice-prefeito respectivamente. Com a desistência desses no final do mês de agosto por problemas internos dos partidos da Frente, mesma definiu-se por Altair De Marco, empresário e proprietário das Casas Vitória e Gui Pereira dos Santos, empresário do setor de peças.
3. Frente Popular, composta pelo Partido dos Trabalhadores (PT), pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), pelo Partido Popular Socialista (PPS), pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) e pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Essa coligação apresentou Amélio Domingos Bedin, professor da rede pública e Célio Damo, profissional (arquiteto) como candidatos a Prefeito e Vice-Prefeito, respectivamente.
4. O Partido de Mobilização Nacional concorreu sozinho, sem alianças, tendo como candidato a Prefeito Maximino Hertz, Licenciado em Filosofia e funcionário do Clube Recreativo Chapecoense e, Walter Cella, corretor de imóveis. Com a desistência de Walter Cella, foi substituído pela candidata Maria de Oliveira, do lar.
II. O PERÍODO ELEITORAL EM CHAPECÓ - 1992
O município de Chapecó (SC) representa a partir dos anos de 1970 um importante pólo da agroindústria do contexto catarinense e nacional. Como anotamos em 1992 foram quatro candidatos que se apresentaram à comunidade chapecoense para a disputa da eleição majoritária do dia 3 de outubro. Paralelamente mais de centena de nomes foram igualmente registrados junto a Justiça Eleitoral para disputarem uma vaga de Vereador à Câmara Municipal.
É imprescindível para se analisar os passos da caminhada de uma campanha política tecer considerações a partir de uma série de peculiaridades que a mesma esteve revestida. Afora as obrigações a serem pautadas e atendidas pelos Partidos Políticos em consonância com a legislação em vigor, têm-se outros aspectos bem como certos mecanismos que são postos em prática durante o período que antecede o dia da eleição, quando o eleitor comparece para depositar seu voto.
Esses vão desde as ações de trabalho dos partidos políticos, começando com a formação de seus diretórios, das tratativas internas e externas para a escolha de candidatos, passando pela realização das convenções para a homologação das chapas e, ainda das possibilidades de eventuais coligações até o início da campanha propriamente dita.
Paralelamente não se pode deixar de lado a estrutura montada pelos partidos e candidatos para levar em frente à jornada eleitoral, quando partem em busca do voto dos eleitores. Outro aspecto que também merece análise diz respeito à programação elaborada pelas agremiações partidárias que passam a identificar a futura ação de trabalho dos candidatos via os meios de comunicação e outros.
No tocante a propaganda veiculada pelos meios de comunicação representa a grande arma utilizada para o convencimento dos eleitores, onde está inserida a posição de cada um dos partidos e seus respectivos candidatos.
No Município de Chapecó como anotamos apenas o Partido de Mobilização Nacional (PMN), concorreu sozinho e sem alianças ou coligações. Os demais partidos em condições de disputarem à eleição em Chapecó formaram coligações.
Definidas as alianças partidárias que se apresentaram ao munícipe chapecoense por certo se constituiu num percurso envolto de articulações, acordos, e muitos conflitos entre ouros Parte desses acompanhados pela imprensa local falada, escrita ou televisada, que cumpriu seu papel na busca de notícias e, sua difusão. Inúmeros foram os registros jornalísticos, que acompanharam a caminhada da campanha política, com respectivos comentários e análises.
Nesse contexto se tem a presença de um elemento que veio dar uma conotação inovadora na divulgação da campanha eleitoral pela imprensa escrita. Esse representado pela presença da "Charge", que passou a ser veiculada num periódico local "Jornal O Iguaçu".
A "Charge" vem juntar-se a duas colunas diárias veiculadas na imprensa escrita da época que vinham tecendo comentários com informes a respeito dos desdobramentos políticos que perpassavam no meio político partidário de Chapecó. A "Fatos e Boatos" de João Vieda e a "De olho Neles” assinado por Arnaldo Lanz, publicadas nos jornais "Diário da Manhã" e "O Iguaçu respectivamente.
Nedson Lanzini, o autor das charges do nosso universo de pesquisa, oportuniza que a imprensa chapecoense saísse do meramente convencional em relação à cobertura jornalística das campanhas eleitorais anteriores. Com a publicação quase que diariamente essa nova forma de se comunicar com o público leitor ganha vulto.
O chargista responsável - Nedson Lanzini - , que além do desenho as legendou. O autor produziu mais de uma dezena de charges, sendo que a maioria delas centrava-se na sátira dos candidatos ao cargo de prefeito. Lanzini coletou informações do que acontecia em nível de partidos, bem como os fatos do desenrolar da campanha política e soube alinhar esses. Nesse sentido o autor transferiu para seus desenhos uma representação humorística das situações acontecidas, dos fatos e das pessoas.
Em depoimento Lanzini , diz que o ano de 1992, teve uma das fases mais interessantes da carreira de chargista. E conclui:
Em Chapecó, onde existia apenas um jornal diário o “Diário da Manhã”, tudo era novidade e inovação. Por isso, posso afirmar que junto com outros companheiros fiz escola nessa cidade, mostrando pela primeira vez a capacidade crítica de um jornal, prerrogativa que não era utilizada antigamente ou passava desapercebida pela falta de agressividade, jornalismo de opinião, investigativo e diversificado.
Naquele período histórico o artista Paulo de Siqueira3, em entrevista se reporta sobre o trabalho de Nedson Lanzini, afirma:
"o mesmo representou para a imprensa regional uma inovação inédita, pela irreverência, senso de humor, pelo traço ágil e riqueza nos detalhes, o que demonstra a grande criatividade e vivacidade do autor, atingindo de maneira certeira o lado bufo dos momentos políticos".
Ainda na ótica de Paulo de Siqueira, a obra de Lanzini "demonstrou um trabalho não ofensivo e que levou às pessoas as gargalhadas naturalmente", e, concluindo "o mesmo chegou a revolucionar os antigos conceitos da imprensa oestina de formação ortodoxa para uma imprensa mais dinâmica e mais ágil na arte de comunicar."
III – A LEITURA DAS CHARGES
Nesse contexto evidenciamos a charge, entendida como discurso humorístico e lúdico e buscamos revelar aspectos ocultos do momento político da eleição de 1992. O humor de Nedson Lanzini nos oportuniza outro olhar sobre esse pleito eleitoral.
A partir da leitura da série de charges selecionadas, afirma-se que a mesmas retrataram o fato, os personagens e as circunstâncias de tempo de espaço, além do lado bufo e satírico de cada um. Para o autor das charges os personagens retratados são o Tiqinho (Dilso Cecchin) , o Aldinho (Aldi Berdian) , o Marcoco (Altair de Marco), o Sagüi (Gui Pereira), o Camélio (Amélio Bedin) o Machimino (Maxinimo Hertz). Alem desses tem-se outros personagens: o Mirtô Sádico (Milton Sander) o Pastor Parisotim Tones ( Pastor Narcisio Parizzoto, candidato a vereador)
A primeira da série publicada em 15/09, traz legenda: “Faltam 18 dias” Os candidatos a prefeito aparecem sentados numa roda gigante e os candidatos a prefeito (Ver Anexo I) pensam a respeito de sua posição naquele momento frente o desenrolar da campanha.
O chargista anota:
Chapecó vai conhecer seu novo prefeito dentro de 18 dias, mas até lá, muita coisa pode acontecer, dependendo da direção que roda gigante girar, na visão bem humorada do cartunista. Se permanecer assim, pela média das últimas pesquisas, Dilso Cecchin será o vencedor com mais de 40 % e De Marco o segundo, com índice superior a 20%. Amélio e Maximino, abaixo do 5%, os lanternas.
A segunda publicada em 16/09/1992, está retratado o então Prefeito Milton Sander, abraçado aos candidatos Dilso Cecchim (era seu vice-prefeito) e Aldi Berdian, vice de Cecchin na chapa.
Sander, como prefeito evidentemente deseja eleger seu substituto e assim solicita: “eu queria um voto de confiança para meus filhinhos: a Direita o Tiquinho, e um pouco mais à direita, o Aldinho. Cecchin e Berdian, respondendo exclamam respectivamente: Papai! Papai!, Mamãe, Mamãe!. O autor ainda comenta sobre as mazelas que podem acontecer numa campanha política.
Nos diz o autor:
“ Na medida em que se aproxima o dia “D” (03 de outubro), os candidatos intensificam reuniões, comícios, visitações, aproveitando especialmente a mídia televisiva, considerando os altos custos da campanha convencional nas ruas. Ruas que exigem carros, combustíveis, equipes, “cabos” eleitorais que nem sempre custam barato. Alguns poucos trabalham por pura simpatia, outros por cachê e muitos na promessa de serem “aproveitados” no futuro governo. Coisas de campanha. Enquanto o dia da eleição não chega, divirta-se com mais um Cartum exclusivo de O Iguaçú".
Já a charge publicada em 17 de setembro, destaca o Altair de Marco e Gui Pereira. O candidato a prefeito reclama da forma como está sendo conduzido, desfilando no meio dos presentes de um comício sendo arrastado por alguém, não era o que foi combinado. Entre os dois personagens tem-se o seguinte diálogo:
Marcoco - “Que droga Sagüi (vice)! O combinado era o pessoal me carregar nos ombros!
Sagüi responde: Desculpa Marcoco. Eu acho que contratamos por engano um cabo do Tiquinho (Cecchin).
Faltando 15 dias da eleição, tem-se no Cartum o Alfredo Lang, Luiz Antonio Palaoro e Walter Cella, que depois de terem seus nomes homologados pela Justiça Eleitoral para os cargos de prefeito e vice-prefeito respectivamente, desistem de concorrer. Por certo amargurando o revés sofrido entre os companheiros de partido, se encontram provavelmente num bar, sentam-se ao redor de uma mesa, travando um diálogo de tristeza quiçá de decepção. Na parede aos fundos aparece um cartaz com os dizeres: “Associação dos Ex-Candidatos. Desistentes e Inconsoláveis de Chapecó”.
Walter Cella candidato a vice pelo PNM, diz ao Lang e Palaoro: “Pois é pessoal ...O problema de ocês era a grana. O meu problema ... snif ...snif ..., é que ... eu nem consegui aparecer Buáááááá.....”
Na edição do dia 23 de setembro, faltando dez dias para “03 de outubro”, nova sátira, o autor volta a se fixar nos quatro candidatos a prefeito. De seu imaginário tem-se a participação dos quatro candidatos como finalistas num concurso de beleza que o intitulou de “Garota Prefeitlântida FM”.
Em outra charge o jornalista faz uma analise a respeito das pesquisas eleitorais publicadas. A pesquisa do IBOPE e a realizada pela Rádio Super Condá, apontam Dilso Cecchin como o favorito. Lembra ainda que “Faltando nove dias, para os leitores e eleitores, são mais nove charges explorando o lado cômico dos bastidores da política”.
Na leitura de outro desenho o autor apresenta o Bispo da Igreja Quadrangular Narciso Parizoto, adjetivado pelo chargista como Pastor Parisottim Tones. Parizzoto naquele período histórico disputava uma cadeira junto a Câmara Municipal de Vereadores, manifestou seu apoio a Chapa União Por Chapecó, que na ótica do autor está realizando uma importante pregação aos fiéis, mas que recomenda votos a todos os candidatos. Parisottim diz: “Por isso eu vos digo, Rebanho Querido! Façam o que eu digo, mas também façam o que eu não digo”.
No caminhar da campanha eleitoral inúmeros são os fatos e situações hilárias que aconteceram, como no caso da uma senhora candidata a vereadora que acabou sendo presa em flagrante por estar distribuindo benesses aos eleitores, para o chargista definindo a situação anota: “ Enquanto isso: uma candidata a Vereadora conquista um novo espaço político (charge publicada em 25/09).Trata-se de Diva Fávero, que atua junto a grupos de idosos independente do momento eleitoral.
O editor do jornal anota na página:
“O bom humor já é um fato incontestável na atual campanha política. No meio da seriedade das propostas dos candidatos, surgem muitos lances dignos de serem retratados na ótica do cartunista. E, assim, a crônica política, rende muitas charges interessantes. É bem verdade que o humorista não precisa fazer muito esforço para encontrar verdadeiros pratos na política nossa de cada dia”.
A situação que envolveu a candidata foi motivo de comentários favoráveis ou não explorado pelos seus opositores, pois fazia parte da nominata de vereadores apresentada pela Coligação União Por Chapecó.
A menos de uma semana do dia da eleição (Faltam 5 dias), o traço humorístico e satírico do chargista em seu desenho foi para muitos ousado e de mau gosto. Os elementos que compõem a charge tem como figura central uma mulher charmosa e insinuante com os seios à mostra:“a prefeitura gostosa, de grandes tetas onde todos querem mamar”, como nos diz o autor. (Os candidatos estão tentando agarrar a mulher. Em primeiro plano está o Cecchin, De Marco e Maximino agarrando o braço esquerdo, e o Amélio agarrando o braço direito.
A Prefeitura a exclama: “Gente! Eu tou cansada! Depois da mamada do Medonho4 e do Mirto Sádico5, o que vão me arranjar agora?
Em 29/09 tem-se o contido de outra charge o Mirtô Sádico (prefeito) na condição de apresentador de um programa rádio apresenta uma dupla vestidos à moda sertaneja: Dilso Cecchin e Altair de Marco.
Diz o apresentador: E Hoje, senhoras e senhores destacam a dupla sertaneja Tiquinho e Demarcoco! Aplausos para eles!
“Enquanto Isso ... A Velha Guarda Relembra Com Saudades os Antigos Sucessos do Rádio” diz a legenda da charge. Nela aparecem os quatro candidatos a Prefeito fantasiados relembrando em coro que: “Nós somos as cantoras do Rádio e Vivemos a Vida a Trovar ... Se Eleitas Saímos da M.... e Vamos Comer só Caviar”.
Faltando dois dias para o dia da eleição, as pesquisas confirmam em primeiro lugar o Dilso Cecchin seguido de Altair de Marco. Mas, como nem sempre as pesquisas são confiáveis, somente após a abertura das urnas e da escrutinação é que os eleitores passam a ter confirmação do eleito.
Nesse sentido sempre há uma esperança, assim a charge publicada em 01/10 (Figura XI), retrata Tiquinho e o Marcoco, travando luta com espada equilibrando-se em cima de iceberg. Anota o chargista: “ Enquanto isso: no pólo norte o sol que nasceu para todos ameaça derreter um iceberg”.
Na véspera do dia da eleição se observa na charge: um pódio, onde aparecem o Tiquinho (1º nas pesquisas), Marcoco (2º), Amélio o 3º e o Maximino o 4º nas pesquisas.
Detalhes:
Tiquinho com uma bazuca dizia: “Nosotros Del Union somos por lá continuacion de este gobierno”.
Marcoco com um revólver em punho revida “si hay gobierno somos contra!”.
Camélio segurando um arco e flecha diz: No, No Dar mi apoio nem uno nem outro”.
Machimino, com um revólver de brinquedo exclama: “Yo tentei tudo com mi pistolita D’água”.
Lanzini, na charge publicada pelo Jornal O Iguaçú, em sua edição no dia da eleição novamente desenha a “prefeitura” em forma de mulher, agora deitada, novamente com os seios à mostra e segurando na mão direita uma chave dirigindo-se aos eleitores: “Gente! Decidam Logo! O Mirtô já deu tudo o que tinha pra dar!”.
. O Camélio e Machimino diziam ao mesmo tempo: “É... parece que não vai sobrar nada para nóis! Bolas!”.
Já o Marcoco, que nunca deixou de ter esperanças apesar das pesquisas apontarem o Cecchin, diz para Prefeitura: “Calma Boneca! Logo estaremos juntos!”
Por último o Cecchin, que na condição de vice-prefeito disputava agora a de Chefe do Executivo lembra que: “Cansei da Reserva ...É agora que assumo a ponta, ou nunca mais!”. Dilso Cecchin e Aldi Berdian, foram confirmados pela Justiça Eleitoral como os candidatos vitoriosos em Chapecó.
Na série das charges o autor agora passa a denominar as últimas três da série retratam o retorno dos candidatos derrotados “A volta pra casa". Publicadas nas edições dos dias 07/08/09 de outubro.
Marcoco (comerciante), fazendo uma alusão a seu empreendimento – Casas Vitória-, diz: “Bem, pelos menos na minha casa eu fico sempre com a vitória”.
O Camélio (Professor) acha-se frente a um grupo de alunos e solicita aos alunos que repitam: Camélio é legal. Camélio é pop. Camélio é bonito”.
Por último o Machimino (Funcionário), descansa em uma rede, e o autor da charge anota “ Volta ao mesmo ritmo da campanha”, que pouco se empenhou.
IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As fontes utilizadas para a elaboração do presente, se constituem numa ferramenta de pesquisa para os interessados.
Lanzini, o autor, retratou aspectos do embate eleitoral do ano de 1992. Esses momentos retratados poderão por diversas vezes repetir-se, ou seja, permanecer atual enquanto critica ao momento descrito, pois revelam muito sobre determinados padrões culturais de uma comunidade.
As charges publicadas pelo Jornal “O Iguaçu” da cidade de Chapecó, tendo como autor Nedson Lanzini, por certo despertou o senso crítico para muitos, criticas contundentes para outros.
Contudo, devemos ressalvar que para esse tipo de fonte não pode estar desvinculado de uma análise contextual, pois ela passa a ter sentido aliada ao conhecimento dos fatos a que ela se reporta.
BIBLIOGRAFIA
FONTES PRIMÁRIAS
Jornal O Iguaçu – Chapecó (SC) em suas edições de setembro a outubro de 1992.
Acervo Carges veiculadas na eleição de 1992. organizado pela autora.
ENTREVISTA
Paulo de Siqueira á autora em 01.10.92 - Chapecó
DEPOIMENTO ESCRITO
Por email Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. em 03/05/2008
FONTES ESCRITAS
AGOSTINHO, Aucione Torres. A charge. São Paulo, ECA/USP, 1993.
CAGNIN, Antonio Luiz. Os quadrinhos. São Paulo, Ática, 1975.
BELUZZO, Ana Maria de M. Voltolino e as raízes do modernismo. São Paulo, Marco Zero, 1992.
MIANI. Rozinaldo Antonio. Charge: uma prática discursiva e ideológica Universidade Estadual de Londrina – UEL/PR/2001
http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=376
ANEXO I
Os personagens – candidatos a prefeito:
TIQUINHO

MARCOCO

CAMÉLIO

MACHIMINO

1 Msc. em História. Professora da UNOCHAPECÓ
2 Em depoimento por escrito em 03/05/2008 a autora Lanzini coloca:” Minha primeira charge publicada em jornal ocorreu no ano de 1977 no Diário Serrano de Cruz Alta – RS. Portanto, no ano passado comemorei 30 anos de charge oficial. Mas desde os 11 anos já publicava charges nos jornais das escolas. Em 1992 era apenas Lanzini. Agora, é apenas Katielly.
3 Artista Plástico, natural de Passo Fundo (RS), nascido em 22/07/1949. Autor de diversas obras em sucata, destacando-se o Monumento "O Desbravador", localizada o centro da cidade de Chapecó. Faleceu em Chapecó em 1997. Depoimento escrito prestado em 01.10.92 a Eli Maria Bellani. Acervo da autora.
4 Ex Prefeito Ledômio Migliorini
5 Prefeito Milton Sander
Outros artigos de Eli Maria Bellani:
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